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    Disco de Lua no céu de Moscou, 10 de agosto de 2015

    'Obsessão' pela Lua nunca foi tão certa: humanidade finca progresso fora da Terra

    © Sputnik / Vladimir Astapkovich
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    No início de janeiro a sonda chinesa Chang'e 4 pousou no lado oculto da Lua e já realizou o primeiro experimento biológico na superfície do satélite natural da Terra. A Sputnik explica por que esse evento se tornou um passo importante e por que é necessário estudar o satélite.

    Exploração lunar: um pouco de história e perspectivas práticas

    A segunda metade do século XX se tornou um período importante para a exploração espacial e, particularmente, lunar. A Guerra Fria entre a União Soviética e os EUA impulsionou a corrida espacial entre as duas superpotências que, por sua vez, contribuiu para o desenvolvimento tecnológico nesse campo.

    Naquela época, os especialistas já tinham entendido que a exploração lunar tem uma grande importância, porque no futuro poderia se tornar possível instalar bases espaciais no satélite natural da Terra para estudar o espaço e abrigar astronautas antes de voos a planetas mais distantes.

    Em 1959, a sonda soviética Luna I (Lua em russo) se tornou a primeira sonda a sobrevoar o satélite, aproximando-se da Lua a uma distância de 6.000 quilômetros. No mesmo ano, a União Soviética lançou a sonda Luna II, que se tornou a primeira a atingir a superfície lunar. A União Soviética continuou lançando missões lunares nos anos 1960, estudando a superfície da Terra, as condições climáticas e tirando fotografias.

    Os EUA também participavam ativamente da exploração lunar. Sondas das séries Pioneer e Ranger realizaram vários voos para a Lua, coletando as informações necessárias para os cientistas descobrirem mais detalhes sobre o nosso satélite natural.

    O dia 21 de dezembro de 1968 poderia ser considerado um dos mais importantes para a exploração lunar, porque foi então que ocorreu o primeiro voo tripulado à Lua. A missão Apolo 8, com três astronautas a bordo, consegui orbitar a Lua por dez vezes e regressar à Terra com as primeiras fotos de nosso satélite tiradas de tão perto por mãos humanas. Seis meses mais tarde foi lançada a missão estadunidense Apolo 11, tripulada pelos astronautas Neil Armstrong, Edwin Aldrin e Michael Collins, cujo objetivo era pisar na superfície lunar.

    Em 21 de julho de 1969, Armstrong e Aldrin desceram à superfície da Lua com um módulo lunar. Na verdade, isso foi "um pequeno passo para um homem, um gigantesco salto para a humanidade".

    Os EUA e a União Soviética realizaram várias missões lunares na primeira metade da década de 1970, mas em meados dos anos 1970 os dois países suspenderam seus programas lunares quase simultaneamente. Realizar voos à Lua era muito caro, além disso, não eram evidentes os benefícios práticos dessas missões.

    A sonda espacial norte-americana New Horizons (imagem ilustrativa)
    © Foto : Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Southwest Research Institute
    Já na década de 1990, outros países deram seus primeiros passos na exploração lunar, incluindo o Japão e os países europeus. No início do século XXI, a China e a Índia aderiram ativamente à exploração lunar. A Rússia e os EUA também criaram seus novos programas para exploração do satélite natural da Terra.

    Segundo vários especialistas, o novo objetivo da exploração lunar deveria ser a construção de uma base na Lua, necessária para montar naves espaciais pesadas que voariam para Marte, bem como para realizar estudos científicos e procurar recursos minerais cuja falta se sente na Terra.

    Pouso no lado oculto da Lua

    O evento mais importante da história da exploração lunar nos últimos anos é o primeiro pouso da história no lado oculto da Lua, que não é visível, pois a Lua está em rotação sincronizada com a Terra.

    Em 8 de dezembro de 2018 o Centro de Lançamento de Satélites de Xichang, no sul da China, lançou ao espaço a sonda lunar Chang'e-4. Em 3 de janeiro, a sonda pousou pela primeira vez na história no lado oculto da Lua. 

    Por estar no lado oculto da Lua, a sonda não poderá comunicar diretamente com a Terra. Para solucionar esse problema, o satélite chinês Queqiao será responsável pela retransmissão dos sinais entre a Terra e a Chang'e-4.

    A sonda pousou na Lua na cratera de Von Kármán, localizada na parte noroeste da maior cratera lunar, conhecida como Bacia do Polo Sul-Aitken. Astrônomos chineses planejam estudar a composição mineral da superfície lunar, bem como obter novos dados sobre o manto da Lua.

    Além disso, a bordo da sonda estão sementes de batata e de várias outras plantas e ovos de bichos-da-seda para estudar sua germinação, crescimento e respiração. O primeiro experimento biológico na Lua foi bastante bem-sucedido: as sementes de algodão levadas à Lua pela Chang'e-4 começaram a brotar. Embora a planta não tenha resistido às temperaturas negativas da noite, o experimento significa há esperança que no futuro os astronautas possam colher seus próprios alimentos no espaço, sem necessidade de voltar à Terra para reabastecer.

    Planos das grandes potências espaciais em relação à Lua

    É possível dizer que hoje em dia o mundo vive uma nova etapa da exploração lunar. Não apenas a China, mas também outras potências espaciais, especialmente a Rússia e os EUA, têm planos ligados à construção de bases lunares e à construção de estações espaciais próximas da Lua.

    Uma das inciativas mais ambiciosas é o projeto russo-americano Gateway de possível criação de uma estação internacional na órbita da Lua, acordado entre a agência russa Roscosmos e a NASA em 2017.

    No âmbito desse projeto, o primeiro módulo, Módulo de Propulsão de Potência, deve ser lançado em 2022. E em 2023 serão lançados o módulo de armazenamento de combustível ESPRIT e o módulo americano U.S. Utilization, um pequeno espaço pressurizado que permitirá a entrada de uma equipe para a primeira missão de montagem da Gateway.

    Está também em faze de planejamento o lançamento de um módulo de logística e de um braço manipulador para mover cargas ao longo da superfície da estação. Os módulos residenciais internacionais e norte-americanos devem ser adicionados entre 2024 e 2025.

    Além disso, em novembro de 2018 o presidente da Roscosmos, Dmitry Rogozin, revelou que a agência espacial russa formará seu novo programa lunar. Segundo várias fontes, entre 2036 e 2040 a Rússia planeja instalar na Lua uma base completa para montar naves espaciais pesadas que voarão para Marte.

    Planeja-se que a base russa na Lua contenha módulos capazes de proteger os cosmonautas da radiação e de disponibilizar todo o necessário para vida, centros de monitoramento espacial da Terra, instalações de abastecimento energético e de comunicação, postos para reciclagem e para utilização de substâncias e recursos naturais lunares e postos para desenvolvimento de novos equipamentos e tecnologias espaciais. Um observatório astronômico deverá rodear a base.

    Quanto aos EUA, em agosto de 2018 o chefe da NASA, Jim Bridenstine, declarou que a Lua representa uma incrível base para todas as tecnologias e capacidades humanas necessárias para a sobrevivência em outros planetas. Segundo ele, a solução para explorar a Lua e ir a Marte é construir como estações espaciais plataformas que sirvam como postos avançados na órbita lunar ou para transporte para outros pontos.

    De acordo com Bridenstine, essas plataformas permitiriam chegar à superfície da Lua com uma baixa capacidade de propulsão, através de propulsão elétrica solar, permitindo permanecer em órbita por muito tempo, enquanto os parceiros comerciais dos EUA, através do investimento na infraestrutura, poderiam construir suas próprias áreas de pouso na superfície lunar, o que permitiria a mais pessoas obter acesso à superfície lunar.

    Outros países também planejam prestar mais atenção à exploração lunar. A União Europeia está escolhendo um parceiro para construir uma base, enquanto a empesa Airbus está participando do projeto Gateway. O Japão, bem como a Índia, planeja enviar suas sondas à Lua nos próximos anos.

    Levando em conta o interesse crescente pela exploração lunar, é possível imaginar que já em meados do século XXI, a Lua se tornaria uma espécie de sétimo continente da Terra.

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    Tags:
    NASA, Espaço, Lua, China, EUA, Rússia
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