13:50 17 Dezembro 2017
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    Zaur Dadaev, um dos suspeitos do assassinato de Boris Nemtsov

    Suspeitos de assassinato de Nemtsov negam culpa enquanto ativistas falam de torturas

    © Sputnik/ Maxim Blinov
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    Todos os suspeitos do assassinato de Boris Nemtsov negam sua culpa, disse esta quarta-feira (11) o chefe de comissão pública de vigilância de Moscou, Anton Tsvetkov.

    “Neste momento nenhum dos suspeitos do assassinato de Nemtsov confirma sua culpa”, manifestou.

    Anteriormente tinha sido divulgado que um dos suspeitos, Zaur Dadaev, se reconhecera culpado. 

    Também se tornou público que um representante do conselho presidencial de direitos humanos, Andrei Babushkin, visitou os suspeitos na prisão, nomeadamente Zaur Dadaev assim como Shadit e Anzor Gubashev. Frisou que “tem razões sérias para pensar que Dadaev e os irmãos Gubashev foram torturados”.

    Enquanto isso, o porta-voz da presidência, Dmitry Peskov, disse que, para obter comentários sobre o desenvolvimento e detalhes de investigação, é preciso dirigir-se ao próprio Comitê de Investigação. Ele também chamou de absurda a pergunta sobre a publicação na mídia de informação sobre a existência de uma alegada “lista negra” de políticos e jornalistas a serem abatidos, sobre a qual o presidente russo Vladimir Putin foi informado.  

    O jornal Novaya Gazeta escreveu que, na semana passada, foi apresentado ao líder russo um relatório no qual, segundo a informação do jornal, estaria indicado o nome da pessoa que encomendou o homicídio do político Boris Nemtsov. 

    “Não conheço os detalhes de todos os relatórios dos serviços de defesa e de segurança. Também não é possível divulgar esta informação”, disse Peskov à emissora Ekho Moskvy (Eco de Moscou).

    O político russo de oposição Boris Nemtsov foi assassinado a tiros no centro de Moscou em 27 de fevereiro, durante um passeio com a namorada Anna Duritskaya, uma ucraniana de 23 anos. Segundo o jornal russo Kommersant, ela não é única testemunha ocular do assassinato. Supostamente perto da cena do crime por coincidência se encontrariam também agentes policiais, que descreveram os assassinos mais nitidamente do que Duritskaya.

    A reação ao assassinato do político de oposição Boris Nemtsov foi imediata. O presidente da Federação da Rússia Vladimir Putin, que foi informado rapidamente sobre o crime, prestou condolências à família e amigos do político. O chefe de Estado russo delegou às autoridades de segurança do país a criação de um grupo investigativo misto, com participação do Ministério do Interior e Serviço Federal de Segurança da Federação da Rússia (FSB na sigla em russo), a tarefa de coordenar os trabalhos.

    Boris Nemtsov tinha 55 anos. Ele foi vice-primeiro ministro do governo russo na época do presidente Boris Yeltsin. Na ocasião, o político foi considerado um possível candidato à presidência. Em dezembro de 2007, o seu partido Soyuz Pravykh Sil (União das Forças de Direita) propôs Boris Nemtsov como candidato para o cargo de presidente da Rússia nas eleições de março de 2008. Em dezembro de 2007, o rating da sua candidatura à presidência foi inferior a 1%. Em 26 de dezembro, antes do início da campanha eleitoral, Nemtsov retirou a sua candidatura a favor de Mikhail Kasianov.

    Desde o início da presidência de Vladimir Putin, Nemtsov se posicionou como um crítico ativo da sua administração. Desde então, ele ocupou diversos cargos públicos e foi eleito sucessivas vezes para o parlamento. Desde 2012, ele co-preside o Partido Republicano da Rússia — Partido da Liberdade Popular (RPR-PARNAS). Desde 2013, foi deputado da Duma da região de Iaroslavl, cidade satélite de Moscou.

    A imprensa internacional também reagiu rapidamente à morte de Boris Nemtsov. As notícias, em sua maioria, davam ênfase às atividades oposicionistas do político e informavam sobre a marcha da oposição convocada por este para 1 de março.

    O secretário de imprensa do Kremlin, Dmitry Peskov, se manifestou a esse respeito à radio Kommersant. “Com todo o meu respeito à memória de Boris Nemtsov, no plano político ele não representava nenhuma ameaça para o governo atual da Rússia e para Vladimir Putin pessoalmente”.

    O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, condenou o assassinato e exigiu uma investigação rápida, imparcial e transparente sobre as circunstâncias do crime. A chancelaria do Reino Unido também teve postura semelhante à norte-americana e disse que irá acompanhar a investigação.

    Tags:
    crime, assassinato, corte, justiça, Boris Nemtsov, Rússia
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