18:44 28 Julho 2021
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    Milhares de mortos, dezenas de cidades destruídas, bem como equipamento de combate e infraestrutura militar – 80 anos atrás, em 22 de junho de 1941, as tropas de Hitler invadiram o território da URSS.

    O ataque foi repentino e devastador, o Exército Vermelho tinha baixas incalculáveis em toda a linha da frente. Sputnik relata sobre as primeiras horas da guerra mais sangrenta da história do país.

    Primeiro ataque

    Para avaliar a escala da catástrofe que se abateu sobre o sistema defensivo da União Soviética (URSS) naqueles dias de junho, é preciso olhar para os dados estatísticos. A Wehrmacht (Forças Armadas alemãs) lançou uma ofensiva em três direções principais.

    Perto de Belarus foi concentrado o Grupo de Exércitos Centro, para esta área os alemães transferiram quase 650.000 soldados, 800 tanques, 12.500 peças de artilharia e morteiros e cerca de 1.700 aviões.

    A Frente Ocidental que defendia esta área tinha o mesmo número de combatentes e equipamento que o inimigo, em número de tanques até excedia o adversário, no entanto, no primeiro escalão do agrupamento soviético havia apenas 13 divisões de infantaria, enquanto os alemães tinham 28.

    O Grupo de Exércitos Sul era composto de 730.000 soldados, 800 tanques, cerca de 10.000 peças de artilharia e morteiros e quase 800 aeronaves. Não foi possível conter o ataque. No fim do dia 22 de junho, em muitos trechos da linha da frente as unidades avançadas de Hitler penetraram até 20 quilômetros adentro do território soviético.

    Soldados soviéticos em combate com as forças alemães nas ruas de Berlim durante a Segunda Guerra Mundial
    © Sputnik / Yevgeny Khaldei
    Soldados soviéticos em combate com as forças alemães nas ruas de Berlim durante a Segunda Guerra Mundial

    O Grupo de Exércitos Norte, que contava com 655.000 soldados e oficiais, consegui rapidamente abrir grandes brechas na defesa da Frente Noroeste. O Exército Vermelho sofreu enormes perdas tanto em combatentes como em equipamento. Os contra-ataques não tiveram sucesso. Em 24 horas, as unidades alemãs irromperam no território da URSS a uma distância de até 60 km.

    A situação se complicava pelo fato de as Forças Armadas alemãs conduzirem ataques simultâneos praticamente ao longo de toda a fronteira, desde o mar de Barents ao mar Negro.

    A Luftwaffe – a Força Aérea da Alemanha nazista – conduziu um golpe devastador contra a aviação soviética. Em apenas algumas horas, o Exército Vermelho perdeu 1.200 aeronaves baseadas em áreas fronteiriças, a maioria delas foram queimadas antes de levantarem voo. Dezenas de aeródromos foram completamente destruídos.

    Erros fatais

    Segundo os historiadores, as perdas trágicas dos primeiros meses da guerra em 1941 foram causadas por grosseiros erros de cálculo da liderança militar e política do país, que não preparou as Forças Armadas para uma invasão apesar do fluxo de informações sobre a agressão iminente.

    No princípio da noite de 21 de junho, a inteligência do Distrito Militar Especial do Báltico informava que os alemães haviam concluído a construção de pontes sobre o rio Neman.

    Mesmo assim, o comando soviético hesitava, e a decisão de colocar as tropas em prontidão total para combate, seu desdobramento, camuflagem de equipamentos, aeródromos e locais sensíveis chegou aos quartéis-generais tarde demais.

    Outra das principais razões para a catástrofe do Exército Vermelho nas primeiras horas e dias da guerra foi o treinamento insuficiente dos comandantes e pessoal, bem como o atraso em nível técnico da URSS em relação à Alemanha.

    Resistência inquebrável

    Porém, não foi fácil para as Forças Armadas alemãs atravessar a fronteira com a URSS – cada posto fronteiriço e unidade militar combatia até o fim, os alemães tinham que esperar pela chegada de forças adicionais para quebrar a resistência.

    Um exemplo marcante desta atitude foi a luta feroz na área da cidade fronteiriça de Przemysl (atual Polônia) onde se defendia a 99ª Divisão de Infantaria do Distrito Militar Ocidental. Os alemães tomaram a cidade em um ataque súbito, mas um dia depois os soldados soviéticos os expulsaram. Em resultado, a cidade mudou de domínio por três vezes.

    O Exército Vermelho não só não cedeu na fronteira, mas forçou os alemães a recuar, apesar de suas vantagens relativamente à quantidade de soldados e material de combate.

    Também se defendia heroicamente a base da Frota do Báltico na cidade letã de Liepaja. Os alemães contavam tomá-la em um dia, mas a pequena guarnição, que contou com a ajuda da população civil, repeliu os ataques por uma semana.

    Tanques soviéticos durante a Batalha de Berlim em 1945, durante a Grande Guerra pela Pátria
    © Sputnik / Vladimir Grebnev
    Tanques soviéticos nas ruas de Berlim em 1945

    O plano Barbarossa previa a derrota das tropas soviéticas em batalhas fronteiriças e a destruição das forças principais antes da linha Dvina Ocidental–Dnepr. Depois Hitler planejava avançar na direção de Leningrado (São Petersburgo), Kiev, Moscou e, no flanco sul, para o Cáucaso e terminar toda a campanha militar em três a quatro meses antes do início do frio do inverno.

    No entanto, a guerra-relâmpago falhou – nas primeiras semanas Hitler perdeu mais de 90.000 soldados e oficiais mortos, feridos e desaparecidos, e a Grande Guerra pela Pátria durou quatro longos anos e não terminou como Hitler queria.

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    Tags:
    Exército Vermelho, Alemanha, União Soviética, Grande Guerra Pela Pátria
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