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    Todo o sistema europeu de segurança se degradou fortemente, a tensão aumenta, os riscos de uma nova corrida armamentista estão se tornando reais, escreveu o presidente russo Vladimir Putin em um artigo para o semanário alemão Die Zeit.

    O artigo, cujo texto também foi publicado no site oficial do Kremlin, é dedicado ao 80º aniversário do início da Grande Guerra pela Pátria (parte da Segunda Guerra Mundial, compreendida entre 22 de junho de 1941 e 9 de maio de 1945, e limitada às hostilidades entre a União Soviética e a Alemanha nazista e seus aliados).

    "Em 22 de junho de 1941 […] os nazistas, tendo conquistado quase toda a Europa, atacaram a URSS. Para o povo soviético começou a Grande Guerra pela Pátria – a guerra mais sangrenta na história de nosso país. Dezenas de milhões de pessoas foram mortas, o potencial econômico e o patrimônio cultural sofreram uma perda gigantesca", aponta Putin.

    Os soldados soviéticos vieram à Alemanha não para se vingar dos alemães, "mas com a nobre, grande missão de libertadores", acrescentou o líder russo, chamando a atenção para as tentativas de alguns países de reescreverem a história.

    "Mesmo tendo sobrevivido aos horrores da guerra mundial, os povos da Europa foram capazes de superar a alienação, restaurar a confiança e o respeito mútuos e enveredaram pelo caminho da integração, para pôr definitivamente fim às tragédias europeias da primeira metade do século passado. Gostaria de salientar, em particular, que a reconciliação histórica de nosso povo e dos alemães, que vivem tanto no leste quanto no oeste da Alemanha unida, desempenhou um papel colossal na formação dessa Europa", sublinhou Putin.

    O líder russo ressaltou que "os empresários alemães foram os pioneiros na cooperação com o nosso país nos anos do pós-guerra".

    Em 1970, a URSS e a Alemanha assinaram um "acordo do século" sobre o fornecimento de gás natural a longo prazo para a Europa que, entre outras coisas, segundo Putin, lançou as bases da construção do gasoduto Nord Stream.

    Trabalhadores em canteiro de obras do gasoduto Nord Stream 2, próximo à cidade de Kingisepp, região de Leningrado, Rússia (foto da arquivo)
    © Foto / Anton Vaganov
    Trabalhadores em canteiro de obras do gasoduto Nord Stream 2, próximo à cidade de Kingisepp, região de Leningrado, Rússia (foto da arquivo)

    Ele observou que havia esperança de que o fim da Guerra Fria fosse uma vitória comum para a Europa.

    "Nós esperávamos que o fim da Guerra Fria fosse uma vitória comum para a Europa. Parecia que, mais um pouco, e se tornaria realidade o sonho de Charles de Gaulle de um único continente, não no [sentido] geográfico, 'do Atlântico aos Urais', mas no cultural, civilizacional – de Lisboa a Vladivostok", lê-se no artigo.

    Rússia procurou desenvolver relações com os europeus, mas, por parte da Europa, prevaleceu uma abordagem diferente, observou.

    "[Essa abordagem] se baseou na expansão da Aliança do Atlântico Norte, que representava em si mesma uma relíquia da Guerra Fria […] Foi precisamente o avanço do bloco para leste a principal razão do rápido crescimento da desconfiança mútua na Europa, avanço que, a propósito, começou com o fato de a liderança soviética ter sido na realidade persuadida a aceitar a integração da Alemanha unida na OTAN" aponta o presidente russo.

    O objetivo comum dos países do mundo é garantir a segurança sem linhas divisórias, criando um espaço único para cooperação igualitária e o desenvolvimento universal, aponta o artigo do presidente russo.

    "Nosso objetivo comum e indiscutível é garantir a segurança continental sem linhas divisórias, um espaço único de cooperação igualitária e desenvolvimento universal em nome da prosperidade da Europa e do mundo em geral", ressaltou Putin.

    Desde 1999 se seguiram cinco ondas de expansão da OTAN, 14 novos países se juntaram à organização, incluindo repúblicas da antiga União Soviética, o que "enterrou as esperanças de um continente sem linhas divisórias".

    "Muitos países foram confrontados com uma escolha artificial – estar com o Ocidente coletivo ou com a Rússia. Na verdade, foi um ultimato. Nós vemos no exemplo da tragédia na Ucrânia de 2014 as consequências desta política agressiva", acrescentou.

    Presidente Joe Biden e líderes dos governos e Estados-membros da OTAN posam para foto durante a cúpula da OTAN em Bruxelas, 14 de junho de 2021
    © AFP 2021 / KEVIN LAMARQUE
    Presidente Joe Biden e líderes dos governos e Estados-membros da OTAN posam para foto durante a cúpula da OTAN em Bruxelas, 14 de junho de 2021
    "Atualmente todo o sistema europeu de segurança está fortemente degradado. A tensão está aumentando e os riscos de uma nova corrida armamentista estão se tornando reais. Estamos desperdiçando grandes oportunidades que a cooperação nos oferece, especialmente agora que ela é tão importante, quando todos nós estamos enfrentando desafios comuns - uma pandemia e suas terríveis consequências socioeconômicas", escreve Putin.

    "Que conclusões devemos tirar juntos? Que lições da história devemos recordar? Penso que, em primeiro lugar, toda a história de pós-guerra da Grande Europa confirma: a prosperidade e a segurança do nosso continente comum só serão possíveis através dos esforços conjuntos de todos os países, incluindo a Rússia. Porque a Rússia é um dos maiores países europeus. E nós sentimos nossa inseparável ligação cultural e histórica com a Europa", sublinhou Putin.

    Moscou está aberta à interação construtiva e honesta, o que é confirmado pela ideia de criação de um espaço único de cooperação e segurança do Atlântico ao Pacífico, concluiu.

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    Tags:
    cooperação, OTAN, Europa, corrida armamentista, Rússia, Vladimir Putin
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