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    Espionagem

    Quem e como está espiando a Rússia?

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    Constantemente, centenas de agentes e espiões de todo o mundo vigiam a Rússia. Um dos objetivos principais do Serviço de Segurança Federal do país eslavo, que completa 100 anos em 20 de dezembro, é fazer frente à espionagem.

    De acordo com dados do Departamento Judicial do Tribunal Supremo da Rússia, em 2016, foram presos 13 cidadãos russos por terem traído o país. Apesar de o número ser bastante modesto, especialistas frisam não ser um indicador da atividade dos espiões estrangeiros.

    4.000 espiões estrangeiros

    O general-major aposentado do Serviço de Segurança Federal, Aleksandr Mikhailov, declarou que, nos últimos 25 anos, a quantidade de redes estrangeiras de espionagens não mudou e os agentes revelados correspondem a mais de 4.000 pessoas. "A questão principal é sua atividade: quando há agravações, a rede começa uma atividade mais ativa, adquirindo tarefas mais globais."

    Segundo Mikhailov, poucos agentes estrangeiros denunciados acabam na prisão. Normalmente, eles são expulsos do país, e nem sempre o escândalo ganha repercussão na mídia.

    Alguns agentes estrangeiros nem sabem que são vigiados pelos serviços russos e são usados como canais de desinformação. No primeiro semestre de 2017, foi suspensa a atividade de 30 funcionários de inteligências estrangeiras e mais de 200 pessoas suspeitas de cooperação com serviços especiais do exterior em território russo.

    Jogos da CIA

    De acordo com especialistas, um dos adversários principais da Rússia na esfera de inteligência continua sendo os Estados Unidos. O espião de escalão mais alto denunciado recentemente era nada mais nada menos do que o terceiro secretário da embaixada dos EUA e, ao mesmo tempo, membro da CIA, Ryan Fogle, preso em março de 2013 ao tentar recrutar um oficial dos serviços de segurança russos. No encontro entre os dois, Fogle veio de peruca e óculos escuros, sem contar na bússola e no mapa de Moscou; nada como um suspense de espião.

    Os EUA não somente têm uma rede ampla de agentes na Rússia, mas também coordenam todos os serviços de segurança europeus. O bloco antirrusso vem dando boas-vindas cada vez mais a participantes das antigas repúblicas soviéticas.

    Com a integração da Crimeia à Rússia e início da guerra em Donbass, a atividade da Ucrânia só vem aumentando na Rússia. Crimeia é o destino mais popular entre espiões ucranianos. Eles não só coletam informações, mas organizam badernas no território da Rússia.

    Redes sociais como campo de espionagem

    Intensificação da atividade dos serviços de inteligência estrangeiros não está ligada somente ao agravamento das relações entre a Rússia e Ocidente. O programa russo de armamentos chama muita atenção dos países estrangeiros. Por exemplo, em 12 de dezembro, em Moscou foi preso Aleksei Zhitnyuk, de 24 anos de idade, que estava coletando dados sobre a Marinha da Rússia para a CIA.

    Recrutamentos pela Internet é a nova moda da espionagem. Em 2011, Estados Unidos criaram o Serviço de Coleta Especial (SCS, em inglês) para monitorar redes sociais e selecionar candidatos para recrutamento.

    "Ao mesmo tempo, nos EUA os vazamentos saem por todo o lado. Snowden e WikiLeaks são exemplos disso, mas estes vazamentos não eram novidades para nós, já sabíamos há muito tempo." Quanto à espionagem eletrônica ou a ciberataques, na maioria dos casos, serviços russos não permitem vazamento de informação secreta.

    Hoje em dia, a estrutura-chave é o Serviço de antiespionagem do Serviço de Segurança Federal da Rússia que possui repartições para controlar espionagem nas áreas militar, industrial e econômica. O Serviço de Inteligência Estrangeiro e o Departamento Central de Inteligência possuem suas próprias unidades de antiespionagem.

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    Tags:
    vazamentos, espionagem, WikiLeaks, Serviço de Segurança, CIA, Edward Snowden, Crimeia, Donbass, Rússia
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