02:10 23 Outubro 2018
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    Ivolga, trem inovador suburbano da Transhmashholding, projetado e construído com tecnologias russas

    Gigante ferroviária russa vê America Latina como região muito promissora

    © Foto: Transmashholding
    Rússia
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    Em apenas 15 anos, a empresa russa Transmashholding se converteu em uma das maiores do mundo no domínio da infraestrutura de transportes ferroviários.

    Com 18 empresas integrantes, mais de 40.000 empregados e mais de 10 mercados conquistados em todas as zonas climáticas, o grupo Transmashholding (do russo Holding da Maquinaria de Transporte) mantém sua liderança como o maior fabricante de trens e vagões na Rússia e uma das dez maiores empresas de maquinaria do mundo.

    A Sputnik Mundo falou com Artiom Lebedev, chefe do departamento de comunicações externas da Transmashholding para discutir a história, desafios, êxitos e planos da empresa.

    Na época da criação da empresa, conta Lebedev, as fábricas que hoje em dia integram a Transmashholding praticamente não existiam. Os gigantes industriais soviéticos sobreviveram mal à transição para a economia de mercado, bem como seu maior comprador, a indústria ferroviária. Por isso, nem se falava da compra de novos veículos, os recursos permitiram apenas manter os que já existiam. A produção caiu em dezenas de vezes e a maioria dos empregados foi demitida por não haver trabalho.

    Apenas em meados dos 2000, com criação da RZD (Ferrovias Russas), ressurgiram os pedidos, o cliente deu a perceber que precisava de trens e vagões novos, não apenas dos produzidos recentemente, mas mais avançados do que seus antecessores.

    "Nesta situação, a nascente Transmashholding se deparou com o desafio de restabelecer os laços industriais, desenvolver de novos equipamentos e lançar a fabricação dos aparelhos mais cruciais, como as locomotivas para trens de carga e de passageiros", diz Lebedev.

    Hoje em dia, a empresa cria produtos que podem concorrer ou até superar os produtos de outros gigantes mundiais neste ramo.

    O processo de modernização exigiu muitos investimentos, cerca de 1,2 bilhões de dólares, detalha Lebedev. Entre os produtos mais destacados que saíram para o mercado o diretor de comunicações externas indica as locomotivas elétricas EP20 e 2ES5 e a locomotiva diesel-elétrica 2TEC25KM, que são apenas uma parte dos muitos modelos (72, no total) lançados pela empresa.

    A locomotiva elétrica para trens de passageiros EP20, adaptada para uso de dois sistemas de eletrificação ferroviária
    A locomotiva elétrica para trens de passageiros EP20, adaptada para uso de dois sistemas de eletrificação ferroviária

    Como toda empresa-gigante, a Transmashholding tem como prioridade aumentar sua cooperação com fabricantes estrangeiros. Entre os parceiros mais importantes Lebedev destacou a Alstom francesa e a General Electric norte-americana. Segundo afirma Artiom Lebedev, ainda existem áreas em que os análogos estrangeiros são melhores: por exemplo, os mancais, que são muito importantes na indústria ferroviária. Para produzi-los na Rússia, é necessário renovar as plantas de mancais, frisou Lebedev.

    Falando das sanções, que de alguma maneira tocaram todas áreas da produção e economia russa, Lebedev disse o seguinte:

    "Qualquer crise tem dois lados. Por um lado, os nossos lucros diminuíram em comparação com os períodos anteriores à crise. Por outro lado, recebemos um impulso extra para nos desenvolvermos: melhoramos nossos custos, entramos em novos mercados, etc."

    O motor diesel D300 fabricado pela Transmasholding
    O motor diesel D300 fabricado pela Transmasholding

    A empresa ferroviária em um país como a Rússia enfrenta certos desafios devido ao clima e às distâncias. Os caminhos de ferro russos têm suas particularidades, afirma Lebedev.

    "Além das condições climáticas diversas e das diferenças nos padrões de altura e largura dos veículos, a própria infraestrutura ferroviária é diferente: a 'bitola russa' é de 1.520 mm, enquanto a bitola padrão na maioria dos países é de 1.435 mm", explicou.

    O modelo EP20, adaptado para uso com dois sistemas de eletrificação ferroviária, com corrente contínua e corrente alternada, são objeto de orgulho para os desenvolvedores da Transmashholding, confessa Lebedev. Estas locomotivas alcançam velocidades de até 200 km/h pelas estradas de ferro existentes.

    "Também consideramos nossos vagões do metrô como os melhores, ao ter em conta as exigências infraestruturais. Por sua eficácia, segurança, viabilidade e informatização é difícil encontrar um concorrente", declarou ele.

    O trem de metrô Moskva, já em serviço no sistema de transporte público da capital russa
    O trem de metrô Moskva, já em serviço no sistema de transporte público da capital russa

    No que diz respeito aos mercados estrangeiros, a Transmashholding já realizou projetos na Europa: na Sérvia e Hungria.

    "As regiões mais distantes também são a nossa prioridade. Acima de tudo trata-se do Oriente Médio, em particular o Irã, onde há uma forte demanda para renovar o transporte ferroviário. América Latina consideramos uma região muito promissora para estabelecer acordos mutuamente vantajosos", afirma Lebedev.

    Segundo ele, a Transmashholding pode oferecer qualquer veículo ferroviário, mas também fornece componentes para grandes projetos estrangeiros. Por exemplo, exporta componentes para equipar o metrô do Panamá.

    Para Lebedev, como transporte terrestre de longas distâncias, o transporte ferroviário não terá concorrentes por muito tempo: sua eficiência econômica e sua capacidade de organizar fluxos de mercadorias é indiscutível. No caso da Rússia, é basicamente insubstituível.

    O interior do trem elétrico EP2D da Transmashholding
    O interior do trem elétrico EP2D da Transmashholding

    No seu desenvolvimento impetuoso, a empresa não esquece o meio ambiente. Claro que é bem difícil, pois ainda não existem baterias com capacidade de carga alta o suficiente para alimentar um trem elétrico de longo curso. Mas é possível transitar para um combustível mais ecológico: a empresa já desenvolveu uma locomotiva alimentada com gás natural, que é muito mais limpo. Ter o gás como combustível é uma questão em foco para empresa.

    Entre outros planos da gigante russa está o desenvolvimento de todo o tipo de transporte ferroviário, mas ainda é cedo para revelar suas características.

    "Em breve entrarão em serviço em massa nossos trens Ivolga, projetados e construídos com tecnologias e componentes russos. Representam, sem dúvida, um novo nível para a indústria russa de locomotivas elétricas", informou Lebedev.

    Além disso, ele sublinhou a atenção da empresa ao conforto dos passageiros.

    "Em particular, desenvolvemos sistemas de supressão de ruído e vagões modulares, podem ser adaptados a qualquer exigência do cliente", resumiu o diretor de comunicações externas da Transmashholding.

    A locomotiva de manobras TEM28, a ponto de receber o certificado de uso
    A locomotiva de manobras TEM28, a ponto de receber o certificado de uso

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    trem, ferrovia, Rússia
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