06:15 14 Dezembro 2018
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    Sistema de lançamento de míssil balístico intercontinental Topol-M durante o ensaio para a parada militar no polígono de Alabino, região de Moscou, Rússia (foto de arquivo)

    Cedendo precedência aos EUA: Rússia recusa destruir seu escudo nuclear

    © Sputnik / Anton Denisov
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    O representante da Rússia na ONU, Pyotr Ilyichev falou na terça-feira (4) perante a Comissão sobre Desarmamento das Nações Unidas em Nova York e nomeou as condições sob as quais a Rússia concordará em diminuir no futuro a quantidade de seu armamento nuclear.

    Ele sublinhou que a Rússia cumpre todas as suas obrigações conforme o Tratado de Redução de Armas Estratégicas (START na sigla em inglês). Mas o futuro progresso no desarmamento nuclear "é impossível sem um trabalho preparatório sério".

    "Ele deve se basear no princípio do "reforço da estabilidade estratégica e da segurança igual e indivisível para todos os Estados sem exceção", sublinhou Ilyichev. Ele especificou que nesta fase a prioridade deveria ser um trabalho conjunto sério para criar condições que realmente contribuíssem para o desarmamento nuclear.

    Durante a sua apresentação, o representante da Rússia na ONU nomeou os fatores que não contribuem para a estabilidade mundial e tornam o desarmamento nuclear em uma ameaça para a segurança do país.

    Sistema de defesa antimíssil global

    É necessário lembrar que o Tratado de Redução de Armas Estratégicas foi assinado pelos presidentes da Rússia, Dmitry Medvedev, e dos EUA, Barack Obama, em 2008. Conforme o tratado, os países deveriam diminuir o número de ogivas nucleares (instaladas e armazenadas) e seus vetores para 1.550 e 700 unidades respectivamente. O acordo está prestes a expirar em 2021 e pode ser prorrogado.

    Tanto a Rússia, como os EUA possuem o maior número de armas nucleares no mundo e são capazes de se destruírem completamente um ao outro. Na segunda metade do século passado, esse fato garantiu o equilíbrio mundial e entre as duas superpotências e as impediu de iniciar uma guerra de grande escala, no entanto, hoje os EUA tentam beneficiar disso.

    "A Rússia tem reiteradamente chamado a atenção para a situação perigosa ligada à instalação unilateral e não limitada de elementos do sistema de defesa antimíssil pelos EUA em várias regiões do mundo", sublinhou.

    Trata-se do posicionamento de sistemas de defesa antimíssil na Europa Oriental e do aumento de número de navios de guerra equipados com o sistema de defesa antimíssil Aegis. Esses navios podem ser enviados para qualquer parte do oceano mundial e colocados nas áreas mais perigosas. A parte norte-americana tem reiteradamente sublinhou que tais medidas não se dirigem contra a Rússia e que essas forças não são capazes de abater todos os mísseis russos. Esta é a situação atual, mas não sabemos qual ela será no futuro.

    Míssil SM-3 está sendo lançado de destroier USS Decatur no Oceano Pacífico (imagem ilustrativa)
    Míssil SM-3 está sendo lançado de destroier USS Decatur no Oceano Pacífico (imagem ilustrativa)

    Além disso, o editor-chefe do jornal Natsionalnaya Oborona, Igor Korotchenko, declarou á Sputnik que "os norte-americanos estão sempre modernizando seus sistemas de defesa antimíssil. Em 2018-2020, eles construirão um novo sistema que será capaz de interceptar mísseis balísticos com alta precisão. Eles já atingiram êxitos significativos."

    Ataque não nuclear

    Segundo aponta Pyotr Ilyichev, existe outro fator importante que desvaloriza os tratados de desarmamento é o aumento pelos EUA de outros sistemas de armamento estratégicos que podem ser comparáveis pela sua eficácia às armas nucleares.

    Não é um segredo que os norte-americanos já há muito tempo que aperfeiçoam o conceito de "ataque global incapacitante". Ele inclui um ataque em massa contra objetos militares de um adversário realizado com armas não nucleares de alta precisão — principalmente com mísseis de cruzeiro a partir do ar, de terra e do mar.

    O alvo de tal ataque são objetos de infraestrutura militar. Seu objetivo principal é destruir a maior parte do potencial de mísseis nucleares.

    "Já há muito tempo que as armas nucleares estão perdendo sua importância para os EUA", explicou o diplomata russo. "Eles podem reduzir seu número sem grande prejuízo e apelar para que nós façamos o mesmo. Entretanto, eles vão desenvolvendo seus sistemas de defesa antimíssil globais e armas de alta precisão, assim podem ganhar uma vantagem significativa. Se formos fazer o que eles querem, ficaremos com 100-150 mísseis que não poderão atingir o território dos EUA."

    O especialista também sublinhou que os EUA estão elaborando novos sistemas de defesa antimíssil para instalá-los no espaço e recusam completamente assinar quaisquer acordos internacionais que não permitam seu posicionamento ou uso.

    Esta foto de arquivo mostra um dos primeiros navios da Marinha dos EUA equipada com o sistema Aegis
    © AFP 2018 / US NAVY PHOTO
    Esta foto de arquivo mostra um dos primeiros navios da Marinha dos EUA equipada com o sistema Aegis

    Armamento convencional

    Além disso, durante sua apresentação, o representante da Rússia na ONU, Pyotr Ilyichev, se manifestou a favor do estabelecimento de um novo regime de controle do armamento convencional na Europa:

    "A Rússia é a favor do estabelecimento de um regime de controle que corresponda à situação política e militar atual no continente. Ainda em 2009, o nosso país propôs um projeto de Tratado sobre Segurança Europeia generalizado. Mas a proposta construtiva russa continua sendo ignorada. Mas nós, pelo contrário, estamos prontos para um tal diálogo na base da igualdade e que considere todos os Estados sem exceção."

    "Para fazer o balanço, queria destacar três condições que devem necessariamente ser realizadas pela OTAN, sob as quais poderíamos continuar o desarmamento nuclear. Primeiramente, os EUA devem retirar suas armas nucleares da Europa. Em segundo lugar, é vital assinar um acordo que poderia limitar a instalação do seu sistema de defesa antimíssil global. Em terceiro lugar, os outros países que possuem mísseis nucleares — França e Reino Unido — devem participar desse tratado."

    Ilyichev destacou: é evidente que os EUA e seus aliados não vão concordar com isso. Consequentemente, necessitamos de desenvolver nosso potencial nuclear em vez de destruí-lo impensadamente.

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    Tags:
    deslocamento, mísseis balísticos, superpotência, sistema de defesa de mísseis, estabilidade, redução, balanço, desarmamento, Tratado sobre Redução de Armas Estratégicas, START III, Sistema de Combate Aegis, OTAN, ONU, Igor Korotchenko, Europa Oriental, Europa, Reino Unido, EUA, França, Rússia
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