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    Em meio a tentativas falhas dos EUA, devido a proximidade e laços com a Rússia, de abordar ex-repúblicas soviéticas ao norte do Afeganistão para migrar as operações após a retirada de suas tropas em setembro, Washington procura sorte em outros países.

    O premiê do Paquistão, Imran Khan, afirmou que a Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês) dos EUA "absolutamente não" terá permissão para operar em solo paquistanês depois que Washington concluir sua retirada do Afeganistão em setembro. A declaração foi dada ao portal Axios, que transmitirá uma entrevista com o premiê no domingo (20).

    A recusa não é por falta de tentativas dos EUA: o diretor da CIA, William Burns, e o secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, visitaram o Paquistão nos últimos meses para discutir a continuidade da cooperação. No entanto, o governo paquistanês rejeitou todas as tentativas como um acordo, uma vez que Islamabad mantém uma relação muito próxima com o Talibã (organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países), exatamente a organização contra quem os EUA estariam operando.

    Fuzileiros navais dos EUA disparam durante uma emboscada do Talibã enquanto realizam operação na província de Helmand, Afeganistão (foto de arquivo)
    © REUTERS / Asmaa Waguih
    Fuzileiros navais dos EUA disparam durante uma emboscada do Talibã enquanto realizam operação na província de Helmand, Afeganistão (foto de arquivo)

    Paquistão tem papel importante no Afeganistão

    A Agência de Inteligência do Paquistão (ISI, na sigla em inglês) foi a porta de entrada de Washington para o Afeganistão por décadas antes da invasão dos EUA em outubro de 2001, proporcionando uma via pela qual os EUA poderiam canalizar apoio financeiro e material para tribos afegãs que lutavam contra o governo socialista afegão e seus aliados soviéticos na década de 1980, incluindo aqueles que mais tarde se tornariam o Talibã, e depois para grupos que resistiam ao governo do Talibã, que chegou ao poder após o colapso do governo socialista em 1996.

    Os EUA e o Talibã chegaram a um acordo de paz em fevereiro de 2020 para que Washington encerrasse sua ocupação de 20 anos e, Cabul e retirasse suas tropas, um acordo semelhante entre o Talibã e o governo afegão se mostrou ilusório.

    Dessa forma, segundo o jornal The New York Times, os EUA estão em busca de representantes no Afeganistão para apoiar depois que as últimas tropas dos EUA partirem, aparentemente refletindo a crença de que o Talibã, agora fora do poder, não levará as negociações de paz a sério e que o governo afegão entrará em colapso rapidamente em face de uma nova ofensiva da organização.

    No entanto, embora Islamabad não vá cooperar com os EUA, o presidente afegão Ashraf Ghani sinalizou que seu governo pode buscar a ajuda do Paquistão para alcançar a estabilidade sem os EUA.

    "A paz será principalmente decidida regionalmente e acredito que estamos em um momento crucial de repensar. É antes de mais nada uma questão de trazer o Paquistão a bordo [...]. Os EUA agora desempenham apenas um papel menor. A questão da paz ou hostilidade está agora nas mãos do Paquistão", disse Ghani ao jornal Der Spiegel em maio.

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    Tags:
    tropas, CIA, Paquistão, Islamabad, Afeganistão, Cabul
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