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    Segundo mídia israelense, o uso de inteligência artificial (IA) foi fundamental para defesa e ataques precisos de foguetes e drones do Estado judeu durante o combate com a Faixa de Gaza.

    De acordo com o The Jerusalem Post, o conflito entre Israel e Hamas foi o primeiro confronto no qual ficou evidente o uso massivo de inteligência artificial (IA) por parte das Forças de Defesa de Israel (FDI), que contaram com ferramentas desenvolvidas através de algoritmos e códigos, levando a mídia a afirmar que "a operação de Israel contra o Hamas foi a primeira guerra de IA do mundo".

    "Pela primeira vez, a inteligência artificial foi um componente-chave e um multiplicador de poder no combate ao inimigo. Esta é uma campanha inédita para as FDI. Implementamos novos métodos de operação e usamos desenvolvimentos tecnológicos que foram um multiplicador de força para toda nossa operação", disse um oficial sênior do Corpo de Inteligência das FDI citado pela mídia.

    Coletando dados usando inteligência de sinais (SIGINT, na sigla em inglês), inteligência visual (VISINT), inteligência humana (HUMINT), inteligência geográfica (GEOINT) entre outras, as FDI construíram uma base de dados robusta que, para os militares israelenses, ajudou a encurtar a duração do combate ao ser eficaz e rápida em reunir alvos, utilizando tal tecnologia de forma precisa para atacar prédios específicos em Gaza.

    Por exemplo, a rede de túneis do Hamas que sofreu vários ataques ao longo do conflito, foi mapeada através de um processo de coleta de inteligência usando big data. Uma vez mapeado, foi possível obter uma imagem completa da rede acima e abaixo do solo com detalhes, como a profundidade dos túneis, sua espessura e a natureza das rotas. Com isso, as FDI conseguiram construir um plano de ataque que foi utilizado durante a operação, segundo a mídia.

    "Anos de trabalho, pensamento inovador e a fusão de todo o poder da divisão de inteligência com elementos em campo levaram à solução revolucionária dos túneis em Gaza", disse o oficial sênior.

    Outra ferramenta utilizada foi um sistema apelidado de "Alquimist", que por meio da inteligência artificial, possibilitou os comandantes das operações terem acesso aos sistemas de defesa através de um simples tablet.

    Um helicóptero de ataque israelense voa por um sistema de defesa aérea Iron Dome enquanto é lançado para interceptar foguete disparado da Faixa de Gaza, na fronteira israelense com Gaza, sul de Israel, 13 de maio de 2021
    © AFP 2021 / Ariel Schalit
    Um helicóptero de ataque israelense voa por um sistema de defesa aérea Iron Dome enquanto é lançado para interceptar foguete disparado da Faixa de Gaza, na fronteira israelense com Gaza, sul de Israel, 13 de maio de 2021

    Assim como "Alquimist", outros programas de defesa ligados à inteligência artificial foram desenvolvidos, como "Gospel" e "Depth of Wisdom". Gospel, particularmente, ajudou a gerar recomendações para tropas na divisão de pesquisa da Inteligência Militar de Israel, que as usou para produzir alvos precisos e em seguida passou as coordenadas para as FDI atacarem.

    "Pela primeira vez, foi criado um centro multidisciplinar que produz centenas de alvos relevantes [através de IA] para o desenvolvimento do combate, permitindo que os militares continuem a lutar pelo tempo que for necessário com novos alvos", disse o oficial sênior.

    O conflito entre Israel e a Faixa de Gaza começou no dia 10 de maio e durou 11 intensos dias, deixando mais de 260 palestinos mortos e 12 israelenses, entre centenas de pessoas feridas. Veja aqui um infográfico com os números sobre o confronto.

    Um residente palestino reage durante brigas com a polícia israelense em meio à tensão contínua antes de uma audiência em uma disputa de propriedade de terras entre israelenses e palestinos no bairro Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental, em 4 de maio de 2021.
    © REUTERS / AMMAR AWAD
    Um residente palestino reage durante brigas com a polícia israelense em meio à tensão contínua antes de uma audiência em uma disputa de propriedade de terras entre israelenses e palestinos no bairro Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental, em 4 de maio de 2021.

    Uma das motivações para o embate foi o despejo de famílias palestinas de locais ocupados por Israel em Jerusalém Oriental. Hoje (28), os EUA afirmaram que mesmo com o cessar-fogo, se Tel Aviv não parar com o despejo de famílias palestinas, outro forte conflito pode estar para acontecer.

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    Tags:
    inteligência artificial, faixa de gaza, Hamas, Israel
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