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    Mundo vs. COVID-19 no final de janeiro de 2021 (110)
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    Irã não vai utilizar vacinas americanas devido a preocupações no campo da saúde pública e da política, confiando nos imunizantes contra a COVID-19 de seus aliados, bem como de produção nacional.

    Em uma entrevista a ser publicada na quinta-feira (28), o ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohammad Javad Zarif, contou ao canal RT que a vacina russa Sputnik V será "utilizada e produzida" no Irã, que acabou entrando na terça-feira (26) na lista de nações a registrarem a vacina russa.

    "Nós vamos adquirir a vacina russa; vamos adquirir a vacina chinesa, e estamos em contato com todos eles [aliados]. Vamos adquirir a vacina indiana", disse o chanceler iraniano, que se encontra em Moscou.

    A vacina iraniana passou na primeira fase de testes clínicos em humanos, estando o Irã com esperanças de incluí-la na campanha de imunização em junho.

    Enquanto isso, as vacinas americanas da Pfizer/BioNTech e da Moderna, que se tornaram a escolha preferida dos aliados dos EUA, foram rejeitadas por Teerã. Como justificação da rejeição das vacinas norte-americanas, Zarif lembrou como a cooperação com países ocidentais na área de saúde pública afetou negativamente Teerã.

    "Você sabe que temos uma experiência muito ruim com outro país ocidental que não quero mencionar. Eles enviaram para o Irã sangue com vírus" e muitos pacientes que precisavam de transfusões foram infectados, relatou Zarif.

    Embora o diplomata iraniano tenha se recusado a nomear o país, é provável que estivesse se referindo a suprimentos de sangue contaminado com HIV enviados da França nas décadas de 1980 e 1990. Na época, foi relatado que cerca de 300 iranianos foram infectados com sangue contaminado, o que se tornou um escândalo internacional.

    Membro de equipe médica recebe vacina da Pfizer/BioNTech durante vacinação anti-coronavírus em Bergamo, Itália, 5 de janeiro de 2021
    © REUTERS / Ufficio stampa ASST Papa Giovanni XXIII / Handout
    Membro de equipe médica recebe vacina da Pfizer/BioNTech durante vacinação anti-coronavírus em Bergamo, Itália, 5 de janeiro de 2021

    Sabendo disso, preocupações semelhantes foram recentemente expressas pelo líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, que proibiu as importações de vacinas contra o coronavírus dos EUA e do Reino Unido no início deste mês, descrevendo-as como "não confiáveis".

    Em declarações ao RT, Zarif lamentou que a pandemia não pudesse se tornar um fator de união para o mundo e de humanização das relações internacionais.

    Apesar de o Irã ser o país mais afetado no Oriente Médio, com quase 1,4 milhão de casos confirmados de COVID-19 e mais de 57.500 mortes, "os EUA não reduziram sua pressão sobre o Irã; não nos permitiu fazer transações financeiras", lamentou o diplomata.

    No ano passado, Teerã tentou fazer pagamentos para ingressar no programa de distribuição global de vacinas da Organização Mundial da Saúde (OMS), COVAX, em três ocasiões diferentes, mas todas as tentativas foram prejudicadas pela campanha de sanções dos EUA, segundo Zarif.

    Produção da vacina Sputnik V em São Petersburgo, na Rússia
    © REUTERS / Anton Vaganov
    Produção da vacina Sputnik V em São Petersburgo, na Rússia

    No entanto, por outro lado, as sanções dos EUA deram ao Irã uma "vantagem" durante a pandemia, pois forçaram o país a desenvolver sua indústria farmacêutica nacional. Medicamentos essenciais, kits de teste para coronavírus e máscaras faciais, que Teerã não teria obtido devido às restrições, foram "produzidos no Irã", afirmou Zarif.

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    Tags:
    vacinação, COVID-19, EUA, Teerã, Irã
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