18:46 03 Abril 2020
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    Descobrimento de enorme jazida de gás entre Dubai e Abu Dhabi poderia mudar as regras do jogo no mercado internacional de hidrocarbonetos, uma vez que as relações entre Qatar e Emirados Árabes Unidos esfriaram ultimamente.

    Os EAU são um dos maiores produtores e exportadores de petróleo do mundo. Em 2019 foram extraídos aproximadamente 2,9 milhões de barris por dia, o que representa em torno de um terço do PIB do país árabe, comenta Vanand Meliksetian em seu artigo para a publicação Oilprice.

    Apesar de sua impressionante capacidade de produção, o país segue dependente em grande medida do gás natural importado para satisfazer a demanda interna. Um terço do gás do país é fornecido pelo vizinho Qatar. As tensas relações políticas entre os dois países, devido ao apoio dos EAU ao bloqueio dirigido pela Arábia Saudita, criam uma relação comercial incômoda.

    Doha, capital do Qatar
    © Sputnik / Abdulkader Khadj
    Doha, capital do Qatar

    No começo deste mês, os Emirados Árabes anunciaram a descoberta da maior jazida de gás desde 2005. O campo de Jebel Ali contém 80 bilhões de pés cúbicos de referência padrão de gás. Tem o potencial de tornar o país autossuficiente.

    "A descoberta de um enorme campo de gás nos EAU melhora a segurança energética do país e pode transformar o entorno geopolítico regional", analisa Meliksetian.

    Contudo, segundo Samer Mosis, analista da S&P Global Platts Analytics, "ainda que o descobrimento tenha o potencial de deixar os Emirados Árabes Unidos um passo mais próximos da autossuficiência de gás, restam importantes incógnitas em torno dos custos e volume de desenvolvimento". Isso poderia significar que a autossuficiência é mais difícil e custosa de alcançar do que se prevê atualmente.

    O desenvolvimento do campo de gás levará anos, durante os quais os EAU dependerão do gás natural importado. O país está obrigado por contrato a seguir importando o produto do vizinho Qatar.

    Ainda que o Qatar continue a ser um exportador confiável apesar do bloqueio, a dependência energética não é uma posição de equilíbrio para Abu Dhabi.

    O gás natural poderia se converter em um importante pilar de crescimento a curto e médio prazo. Embora se preveja que o consumo de petróleo alcance seu ponto máximo em torno de 2030, a quota de gás natural seguirá crescendo. Desta forma, uma indústria nacional de GNL poderia se converter em uma parte importante da carteira energética dos Emirados Árabes Unidos, conclui Meliksetian.

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    Tags:
    autossuficiência, Qatar, gás natural, gás, Abu Dhabi, Dubai
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