15:28 03 Abril 2020
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    Empresas terceirizadas contratadas pelos EUA para a reconstrução do Afeganistão são acusadas de pagar propina ao Talibã em troca de proteção, o que teria financiado ataques no país.

    Familiares de soldados e civis americanos mortos e feridos no Afeganistão decidiram processar empresas envolvidas em trabalhos de reconstrução do país após a guerra que se seguiu aos ataques de 11 de setembro.

    Conforme informou o portal norte-americano Stars and Stripes, as empresas teriam pagado propina ao Talibã (grupo terrorista proibido na Rússia e em outros países), dinheiro que teria financiado ataques terroristas entre 2009 e 2017.

    Entre as empresas figuram as americanas DAI Global LLC, com sede em Bethesda, nos EUA, e a Louis Berger Group, com sede na cidade americana de Morristown.

    "Todos os réus foram grandes empresas ocidentais com negócios lucrativos na guerra do Afeganistão, e todas elas pagaram o Talibã para que este não atacasse os interesses de seus negócios [...] Tais pagamentos por proteção ajudaram e estimularam o terrorismo através do financiamento da insurreição do Talibã, apoiado pela Al-Qaeda, a qual matou e feriu milhares de americanos", diz o texto do processo.

    Ainda de acordo com a mídia, citando o processo dos parentes das vítimas, as duas empresas receberam um montante de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 4 bilhões) da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional para a realização de trabalhos no Afeganistão.

    Também de acordo com a mídia, a acusação foi feita com base em testemunhas, documentos das empresas e arquivos revelados do governo, assim como outras fontes.

    'Áreas controladas pelo Talibã'

    Apesar da presença militar da OTAN no Afeganistão, o processo apontou que as empresas teriam pagado tais propinas para operar em áreas controladas pelo Talibã.

    "Cada contrato [entre o governo americano e as empresas] exigia trabalho em áreas sob o controle do Talibã ou sob sua influência, e a prática padrão das empresas em tais circunstâncias era pagar dinheiro por proteção para desestimular o Talibã de atacar os seus projetos", publicou a mídia parte do processo.

    O processo se dá após o jornal The Washington Post ter acusado o governo americano de ocultar provas sobre a ineficiência da intervenção militar no Afeganistão por quase duas décadas.

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    Tags:
    ataques, financiamento do terrorismo, Afeganistão, guerra do afeganistão, processo, EUA, Talibã, propina, terrorismo
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