18:15 09 Dezembro 2019
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    Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel

    Netanyahu usa anexação do Vale do Jordão para escapar de acusações de corrupção?

    © REUTERS / Amir Cohen
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    O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu está jogando pesado para permanecer no poder. O motivo: estaria querendo mais seis meses em um governo de unidade nacional para anexar uma grande parte da Cisjordânia, e ficar imune às acusações de corrupção.

    O Vale do Jordão, a parte oriental da Cisjordânia que faz fronteira com a Jordânia, entrou no radar de Netanyahu em setembro, antes da segunda eleição geral de Israel em 2019. O primeiro-ministro prometeu que, se ele permanecer no poder, anexaria a área como terra soberana de Israel, porque é isso que é necessário para a segurança nacional.

    O tamanho do impacto que sua promessa causou não está claro, mas o seu partido, o Likud, acabou quase empatado com a Aliança Azul e Branca de Benny Gantz. O resultado foi tão inconclusivo quanto o da eleição de abril, e os dois partidos vêm lutando para formar um governo de unidade nacional.

    Nesta segunda-feira, Netanyahu repetiu sua promessa de anexação, dizendo que discutiu o plano de incorporar formalmente o Vale do Jordão com o presidente dos EUA, Donald Trump, durante uma ligação telefônica anterior. De acordo com ele, Israel atualmente tem uma "oportunidade histórica" de mover sua fronteira oriental em direção à Jordânia e, por isso, pediu a Gantz que trabalhe mais em um acordo de coalizão.

    Presidente dos EUA, Donald Trump, ao lado do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu após a assinatura do documento que reconhece a soberania de Israel sobre as Colinas de Golã
    © AP Photo / Manuel Balce Ceneta
    Presidente dos EUA, Donald Trump, ao lado do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu após a assinatura do documento que reconhece a soberania de Israel sobre as Colinas de Golã

    A Aliança Azul e Branca aceita a ideia da anexação, mas é o próprio Netanyahu quem fica no caminho de um governo da unidade. Gantz se recusou a ingressar em uma administração que seria chefiada por um premiê indiciado pela justiça.

    Também nesta segunda-feira, o procurador-geral Avichai Mandelblit enviou ao Knesset, o Parlamento israelense, uma acusação formal de Netanyahu pelos crimes de suborno, fraude e violação em três casos de corrupção.

    Segundo o jornal Israel Hayom, um diário com fortes laços com o Likud, o partido ofereceu um acordo que manteria Netanyahu na cadeira do primeiro ministro por seis meses, sendo seguido por um governo conduzido por Gantz, que por sua vez deixaria o cargo por 18 meses depois para um candidato do Likud.

    Anexação polêmica

    Presume-se que o meio ano no poder seja necessário para aprovar a anexação do Vale do Jordão. Ze'ev Elkin, um dos principais membros do Likud envolvido nas negociações da coalizão, explicou que as boas relações pessoais de Netanyahu com Trump garantiriam a aceitação da anexação por Washington, da mesma maneira que fez a transferência da embaixada americana para Jerusalém e o reconhecimento da anexação de Israel das Colinas de Golã, na fronteira com a Síria.

    Já o parlamentar Yehiel Tropper, da Aliança Azul e Branca, foi entrevistado pela rádio pública Kan depois de Elkin e comentou que seu partido concordaria com a anexação se for realizada "em coordenação com a comunidade internacional e com os Estados árabes moderados".

    Depois que Netanyahu anunciou seu plano em setembro, a iniciativa foi recebida uma condenação generalizada de nações árabes, incluindo a Jordânia, e das Nações Unidas.

    O acordo proposto é percebido com suspeita no campo de Gantz, no qual as pessoas estão preocupadas com o fato de Netanyahu usar os seis meses para aprovar um pacote de imunidade que o isentaria de processo criminal.

    Netanyahu pode divulgar suas credenciais internacionais para manter o controle do poder, mas a realidade é que seus dias na política estão contados, acredita Gideon Levy, colunista do Haaretz e crítico de longa data do primeiro-ministro israelense.

    "Acho que Trump gostaria de ver Netanyahu fica no poder, com certeza. Mas não acho relevante. Finalmente, Netanyahu está acabado. Pode demorar mais alguns meses ou menos, mas ele está acabado, então por que tentar ajudá-lo?", declarou ele à RT.
    A construção de moradias para judeus na margem ocidental do rio Jordão na cidade de Maale Adumim
    © AFP 2019 / Thomas Coex
    A construção de moradias para judeus na margem ocidental do rio Jordão na cidade de Maale Adumim

    A área prevista para anexação compreende cerca de um quinto da Cisjordânia e abriga cerca de 65.000 palestinos e 11.000 colonos israelenses, conforme estimado pelo grupo de direitos humanos B'telem. Estes últimos vivem em aproximadamente 30 assentamentos considerados ilegais pela lei internacional.

    Os palestinos administram a cidade de Jericó, o maior centro populacional da região e cerca de 50 vilarejos, mas os 90% restantes do território estão sob controle militar israelense.

    O plano de Netanyahu aparentemente envolveu transformar o vale em uma parte de Israel pontilhada com dezenas de enclaves palestinos, já que ele disse que nenhum setor palestino seria anexado ao longo do processo.

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    Tags:
    ocupação, anexação, judeus, palestinos, eleição, diplomacia, Colinas de Golã, Síria, Jordânia, Rio Jordão, política, Aliança Azul e Branca, Partido Likud, Benny Gantz, Benjamin Netanyahu, Estados Unidos, Israel
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