09:52 20 Julho 2018
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    Tero Varjoranta, agora ex-chefe de inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)

    Dedo de Trump? Chefe da AIEA anuncia saída após EUA romperem acordo com o Irã

    © AP Photo / Ronald Zak
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    O chefe de inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Tero Varjoranta, anunciou sua renúncia três dias depois de os Estados Unidos terem abandonado o acordo nuclear com o Irã. O funcionário não forneceu qualquer razão para a sua saída.

    Varjoranta estava servindo como chefe do Departamento de Salvaguardas da agência, encarregado de determinar se os países que fazem parte do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) cumprem o acordo.

    O funcionário nascido na Finlândia assumiu o cargo em outubro de 2013 e também foi vice-diretor geral da AIEA, que, durante seu mandato, repetidamente afirmou a conformidade do Irã com o importante acordo nuclear conhecido como Plano de Ação Integral Conjunto (JCPOA).

    O acordo, que foi fechado entre cinco membros do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha e o Irã, recebeu um grande golpe na terça-feira quando o presidente dos EUA, Donald Trump, que criticou o acordo, anunciou a retirada de Washington e o restabelecimento das sanções econômicas ao Irã.

    Varjoranta foi temporariamente substituído pelo diretor interino do Escritório de Verificação da Agência no Irã, Massimo Aparo, com o porta-voz da AIEA afirmando que "as atividades de salvaguardas da agência continuarão a ser realizadas de maneira altamente profissional".

    Perguntado sobre a causa da renúncia abrupta de Varjoranta, o funcionário disse que "a agência não pode comentar assuntos pessoais, que são confidenciais".

    No dia seguinte à decisão de Trump, que atraiu condenação dos aliados europeus dos EUA e até de seu próprio partido, a AIEA reafirmou novamente que o Irã estava cumprindo seus compromissos nucleares, que limitam seu programa nuclear em troca de sanções.

    O Irã, assim como os demais signatários do pacto, prometeu manter suas cláusulas pendentes em futuras negociações.

    Nova composição possível?

    Após a saída dos EUA, a Alta Representante da União Europeia (UE) para Assuntos Exteriores e Política de Segurança, Federica Mogherini, destacou que a agência nuclear da ONU é "a única organização internacional imparcial encarregada de monitorar os compromissos nucleares do Irã". Isso inclui examinar as alegações do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de que o Irã tem um programa de armas nucleares ativo e clandestino.

    Washington, por outro lado, imediatamente apoiou a apresentação em PowerPoint de Netanyahu. Declarou que a apresentação "fornece detalhes novos e convincentes" das supostas atividades nucleares do Irã e é "consistente com o que os Estados Unidos conhecem há muito tempo".

    A AIEA "fez um trabalho muito bom" com suas inspeções completas nas instalações nucleares do Irã e uma "troca de uma ou duas pessoas", mesmo em sua liderança sênior não vai afetar suas operações, Peter Galbraith, o ex-embaixador dos EUA na Croácia e autor de vários livros sobre o Oriente Médio, disse à RT.

    A nomeação de Aparo é "bastante normal", já que ele era um dos principais subordinados do cargo de resignado que lidava com um importante portfólio, afirmou. Galbraith também negou as chances de um novo acordo entre o Irã e os EUA, argumentando que a retirada dos EUA coloca o Irã "em posição basicamente para pedir melhor implementação deste acordo original" da Europa em particular, já que os signatários restantes querem que o Irã fique nele.

    "O resultado final será um acordo melhor para o Irã", enquanto os "americanos não terão voz", observou.

    Kaveh Afrasiabi, ex-assessor da equipe de negociação nuclear do Irã, observou, ao falar sobre a reforma, que "há uma história de potências ameaçadoras tentando influenciar a AIEA". No entanto, a nomeação de Aparo, que tem experiência no local no Irã, pode ser melhor.

    "O fato de você ter um vice-diretor em exercício no Irã e agora poder ir a Moscou junto com o chefe da AIEA [Yukiya] Amano, que tem uma reunião com o presidente [russo Vladimir] Putin na segunda-feira para falar sobre o Irã e de todos os compromissos e detalhes necessários — isso é muito importante", prosseguiu.

    Afrasiabi disse que um novo acordo não está em jogo, já que Trump "queimou a ponte com o Irã" e tem "credibilidade zero com o povo iraniano".

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    Tags:
    armas nucleares, Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), JCPOA, acordo nuclear, Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Kaveh Afrasiabi, Peter Galbraith, Federica Mogherini, Massimo Aparo, Donald Trump, Tero Varjoranta, Estados Unidos, Irã, Finlândia
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