00:07 25 Abril 2018
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    Embaixada dos EUA em Tel Aviv (foto de arquivo)

    Israel tem de expulsar 450 idosos saídos da URSS para a embaixada dos EUA em Jerusalém

    © REUTERS / Baz Ratner
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    As autoridades israelenses vão precisar deslocar cerca de 450 imigrantes da União Soviética, muitos dos quais estão na faixa dos seus 80 anos, de um terreno para facilitar a construção da nova embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém. E não há solução à vista.

    O terreno no bairro predominantemente judeu de Arnona, em Jerusalém, pertence aos EUA e atualmente abriga um consulado americano, que em breve será promovido a status de embaixada. Isso está programado para acontecer em 14 de maio, coincidindo com o 70º aniversário da declaração de independência de Israel, embora a burocracia possa forçar um adiamento, segundo a mídia local.

    Enquanto o composto consular, que abriu em 2010, está entre as instalações diplomáticas americanas mais seguras em Israel, é muito pequeno para servir como a embaixada fortificada de pleno direito que os EUA querem que seja. O trabalho de construção necessário para mudar isso envolveria o deslocamento de 450 moradores que vivem há décadas no Hotel Diplomat, que foi comprado pelos EUA em 2014 e alugado para abrigar imigrantes idosos da antiga União Soviética.

    De acordo com o site do Parlamento israelense, as autoridades não têm ideia sobre como fazer isso, tendo ocorrido recentemente um acalorado debate sobre o destino desses moradores em uma reunião do Comitê de Imigração. "Não podemos deixá-los em suspense, preocupação e medo do que será seu futuro e para onde serão transferidos", disse o presidente do comitê, Avraham Neguise.

    Uma solução é esperada do Ministério da Imigração e da Integração, que supervisiona a repatriação de judeus étnicos para Israel e administra o hotel. O diretor-geral Alex Kushner prometeu apresentar propostas há três meses, mas das três alternativas que ele ofereceu durante a reunião, duas são impraticáveis, de acordo com a integrante da comissão Ksenia Svetlova. Ela disse que não havia nenhum plano de ação para o desenvolvimento de acomodações alternativas para os residentes do Hotel Diplomat.

    "O direito a um teto sobre nossas cabeças é um direito básico. Perdemos muito tempo, mas não vamos esperar mais. A questão do Hotel Diplomat e seus inquilinos deve ser resolvida imediatamente", disse ela.

    O atual plano dos EUA é que o hotel se torne parte de seu órgão diplomático em junho de 2020. O presidente dos EUA, Donald Trump, reconheceu Jerusalém como a capital de Israel em dezembro passado, provocando indignação entre críticos e aliados norte-americanos.

    Israel capturou a parte predominantemente árabe de Jerusalém da Jordânia durante a guerra de 1967 e anexou-a em um movimento que não é reconhecido internacionalmente. A decisão de Trump anulou essa rejeição e minou uma possível solução de dois Estados para o conflito entre israelenses e palestinos.

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    Tags:
    idosos, diplomacia, palestinos, embaixada, Ksenia Svetlova, Alex Kushner, Donald Trump, Avraham Neguise, Arnona, União Soviética, URSS, Jerusalém, Israel, Estados Unidos
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