08:03 15 Dezembro 2017
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    Premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, durante visita a Washington realizou coletiva de imprensa conjunta com presidente Donald Trump, 15 de fevereiro de 2017

    Decisão de Trump destrói a solução de dois Estados e ameaça a paz, dizem palestinos

    © REUTERS/ CARLOS BARRIA
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    A aventura da capital de Israel (56)
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    O secretário-geral da Organização de Libertação da Palestina (OLP) disse que a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de reconhecer Jerusalém como capital de Israel – anunciada nesta quarta-feira – destrói quaisquer esperanças de uma solução de dois Estados para o conflito.

    "Ele destruiu a solução de dois Estados", disse Saeb Erekat, que há muito serviu como negociador palestino, a jornalistas após o discurso de Trump. Ainda segundo ele, o presidente dos EUA "desqualificou seu país de qualquer papel" no processo de paz.

    "Como um negociador palestino-chefe, como posso me sentar com essas pessoas se me ditarem o futuro de Jerusalém como a capital de Israel?", acrescentou. Erekat advertiu ainda que Trump "está realmente jogando toda a região no caos, caos internacional".

    A solução de dois Estados tem sido a base dos esforços internacionais de paz para o conflito. Israel afirma que toda Jerusalém é a sua capital indivisa, enquanto os palestinos enxergam o setor oriental da cidade como a capital do seu futuro Estado.

    "Eu acho que esta noite ele está fortalecendo as forças dos extremistas nesta região como ninguém já fez antes", disse Erekat, referindo-se a Trump.

    Árabes reagem

    A avaliação do secretário-geral da OLP possui fundamento. Logo após o anúncio de Trump, o grupo palestino islâmico Hamas disse que a decisão da Casa Branca deveria ser interpretada como uma "flagrante agressão contra o povo palestino".

    O Hamas, que domina a Faixa de Gaza, exortou os árabes e os muçulmanos a "prejudicar os interesses dos Estados Unidos na região" e a "evitar Israel".

    O tom esboçado pelo governo da Turquia foi semelhante. O ministro de Relações Exteriores do país, Mevlut Cavusoglu, considerou a decisão de Trump como irresponsável e ilegal.

    "Condenamos a afirmação irresponsável da administração dos EUA […] a decisão vai contra o direito internacional e as resoluções relevantes da ONU", escreveu Cavusoglu no Twitter.

    Antes do anúncio amplamente marcado de Trump, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, havia avisado depois de uma reunião com o rei jordano Abdullah II que o movimento "jogaria nas mãos" de grupos terroristas.

    Erdogan já convocou uma reunião cimeira da Organização de Cooperação Islâmica (OIC) em Istambul, em 13 de dezembro, para discutir a questão. Ele alertou também que a decisão da Trump teria "reflexões negativas sobre a paz e a estabilidade na região" e arriscaria "destruir completamente o terreno para a paz".

    Assim como Ancara, Teerã afirmou que reconhecer Jerusalém como capital de Israel é uma decisão "grave" e que viola todas as resoluções internacionais. Já o governo do Qatar pode permitir uma “escalada perigosa e uma sentença de morte para todos que buscam a paz”.

    "Lamentável", diz Macron

    Na Europa, o presidente francês Emmanuel Macron considerou a atitude de Trump como "lamentável", e reiterou o pedido para que a violência seja evitada "a todo custo".

    Dirigindo-se a uma conferência de imprensa durante uma visita de Estado à Argélia, Macron afirmou "o apego da França e da Europa à solução de dois Estados, Israel e Palestina vivendo lado a lado em paz e segurança dentro de fronteiras internacionalmente reconhecidas, com Jerusalém como a capital da dois Estados".

    O presidente francês pediu "calma" e "responsabilidade" em todos os lados. "Devemos evitar a violência a todo custo e priorizar o diálogo", disse ele. "A França está pronta com seus parceiros para tomar todas as iniciativas necessárias nesta direção".

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    muçulmanos, judeus, árabes, política, acordo de paz, diplomacia, embaixada, OLP, Hamas, Mevlut Cavusoglu, Recep Tayyip Erdogan, Saeb Erekat, Emmanuel Macron, Donald Trump, Jerusalém, França, Qatar, Turquia, Irã, Palestina, Israel, Estados Unidos
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