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    Forças de segurança do Afeganistão ocupam posições durante o combate na cidade de Kunduz, norte do Afeganistão, 29 de setembro de 2015

    Rússia espera nunca mais precisar usar força militar no Afeganistão

    © REUTERS/ Stringer
    Oriente Médio e África
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    A Rússia conta com que o país nunca mais seja obrigado a usar suas Forças Armadas e destacamentos da 201ª base no Tajiquistão para resolver a situação no Afeganistão, e que todos os problemas dentro deste país se resolvam por via pacífica, afirmou o presidente russo, Vladimir Putin.

    "É uma linha muito perigosa para todos nós. E já conhecemos exemplos, exemplos muito trágicos, quando houve um avanço dos terroristas a partir do território afegão. Já nem falo do tráfico de drogas e da infiltração de certos elementos criminosos", frisou o líder russo em uma entrevista à emissora russa Mir.

    Basta ressaltar que a 12ª Conferência a nível de vice-chanceleres que terá lugar em Moscou em 14 de abril será dedicada à procura de de vias pacíficas para solucionar o conflito afegão.

    O "slogan" destas consultas organizadas por Moscou em relação ao problema afegão bem poderia ser: "O que devemos fazer com o Afeganistão?" O especialista em assuntos militares e políticos Pyotr Goncharov comentou a questão à Sputnik Dari.

    De acordo com ele, das conversações vão participar vários grupos de países — os que estão diretamente envolvidos na crise afegã, os que são afetados de alguma maneira por esta crise, e aqueles que pretendem resolver esta situação de algum modo.

    Em fevereiro do ano corrente, Moscou já acolheu as consultas entre seis partes para discutir a situação no Afeganistão. As consultas "de exposição" sem participação dos EUA e do Ocidente, determinaram o fundamento do "formato de Moscou" em relação ao problema afegão: o Afeganistão, a Índia, o Irã, a China, o Paquistão e, claro, a Rússia. Agora, este "sexteto afegão" foi ampliado a com adesão de cinco países centro-asiáticos e dos EUA. Obviamente, é uma composição preferencial, realça o especialista.

    Moscou não chegou a convidar os talibãs para participarem da conferência, argumentando isso com o fato de todos os participantes serem representantes oficiais dos Estados-participantes. Provavelmente, a posição do Talibã será expressa por Islamabad. De acordo com informações recentes, ambos os lados já realizaram um encontro, durante o qual os talibãs comunicaram a Islamabad as condições para sua participação da resolução pacífica da crise afegã.

    Quanto aos EUA, todos se dão de conta que seu papel no processo de paz afegão continua sendo central, assinala Goncharov. Mesmo que seja central "de forma nominal".

    Esta foto de satélite mostra a base aérea de Shayrat, na província síria de Homs, em fevereiro de 2017
    © AP Photo/ Digital Globe/Departamento da dEfesa dos EUA/Handout via Reuters
    Na véspera da visita a Moscou do novo secretário de Estado americano Rex Tillerson, a representante oficial da chancelaria russa Maria Zakharova observou que "ninguém sabe o que eles [EUA] vão fazer com o Afeganistão".

    Hoje em dia, seria bom saber o que espera a Rússia das consultas que decorrerão amanhã. Segundo comunicou uma fonte informada da agência Sputnik na chancelaria russa, Moscou, em primeiro lugar, espera uma "troca de opiniões franca e construtiva sobre a situação atual" no Afeganistão. Além disso, a fonte comunicou que Moscou vai tentar "focar" as posturas dos participantes em "acordar as abordagens regionais à resolução da crise neste país".

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    Tags:
    consultas, intervenção estrangeira, Talibã, Rex Tillerson, Maria Zakharova, Afeganistão, EUA, Rússia
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