21:24 23 Agosto 2019
Ouvir Rádio
    Situação em Damasco, Síria

    China pode ajudar Síria a reconstruir o país após a guerra terminar

    © Sputnik / Ilia Pitalev
    Oriente Médio e África
    URL curta
    1111

    Em uma entrevista a um canal de TV de Hong Kong, o presidente sírio Bashar Assad avaliou como muito bom o desenvolvimento das relações entre a Síria e a China. "Estamos interessados em desenvolver as relações amistosas entre os dois países e povos", frisou o líder sírio.

    O presidente também assinalou ao canal de TV Phoenix que os serviços secretos sírios e chineses estão cooperando estreitamente na luta contra os terroristas uigures (uma das nacionalidades que habita na China) que viajam da China para a Síria através do território turco.

    Falando com a Sputnik China, o especialista do Instituto de Estudos de Problemas do Mundo Árabe da Universidade Ningxia, Li Shaoxian, assinalou que a cooperação com o governo sírio vai ajudar o país a combater o terrorismo no seu próprio território:

    "Na verdade, não há nada de surpreendente em tal declaração por parte de Assad. Não é a primeira vez que ele fala disso. Já faz bastante tempo que a Síria tem tentado estabelecer relações estreitas com diferentes países. Porém, muitos Estados ocidentais não querem cooperar com a Síria, por isso Damasco está procurando por um apoio amistoso da China e da Rússia."

    O governo da Síria está desempenhando um papel relevante na luta contra os extremistas, sendo que este fato é cada vez mais reconhecido no meio da comunidade internacional. "A propósito, Assad falou sobre a cooperação com a China na área do combate ao terrorismo precisamente durante o encontro com a delegação do Parlamento Europeu. Ainda há dois anos era difícil imaginar que tal delegação visitasse a Síria e se encontrasse com Assad", acrescentou.

    A China também necessita de cooperação antiterrorista com a Síria, já que hoje há muitos que falam dos terroristas uigures que vão para a Síria e se afiliam em tais agrupamentos como o Daesh ou a Frente al-Nusra (hoje em dia Fatah al-Sham), explica o acadêmico. A luta comum contra o terrorismo vai ajudar a derrotá-lo no território chinês.

    "Toda a comunidade internacional, sem exceções, está interessada em combater o terrorismo. Tendo em conta também a ameaça que representa para a segurança nacional o agrupamento extremista Turquestão Oriental, a China está altamente determinada a cooperar com todos os lados na área do combate ao terrorismo, inclusive com a Rússia. Porém, a categoria e a profundidade de tal cooperação já são outra questão", adiantou o analista.

    Na entrevista, o presidente sírio afirmou que a China também poderia participar da restauração da infraestrutura na Síria em todas as esferas, sem exceções.

    Segundo diz o analista do Instituto das Relações Internacionais da Universidade Popular da China, Wang Yiwei, Pequim está interessando em restaurar a infraestrutura na Síria com o fim de realizar a iniciativa da faixa econômica da Rota da Seda.

    "Os projetos na Síria, sem dúvida, representam um interesse empresarial, e a reconstrução no pós-guerra vai permitir que os empreiteiros celebrem muitos contratos vantajosos. Tanto mais que a China tem um potencial forte na construção de infraestruturas", revelou.

    "A Síria é um país com uma civilização antiquíssima. Na Antiguidade, a Grande Rota da Seda atravessava Damasco. E quando o grau da guerra civil for diminuindo, será preciso efetuar a reconstrução e criar novos objetos de infraestrutura que atraiam os investimentos para outras esferas. A Síria é uma ponte de ligação com os outros países do Oriente Médio, bem como um centro cultural importante. Por isso, os investimentos que a China vai fazer poderão ser bastante atraentes", concluiu Wang Yiwei.

    Mais:

    Guerra na frente: na Síria está sendo criado um novo Daesh
    Assad abre as portas para a China reconstruir Síria
    Corrida aos armamentos entre China e EUA é adiada
    Tags:
    rota da seda, projeto conjunto, reconstrução, infraestrutura, guerra civil, Bashar Assad, Síria, China
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik
    • Comentar