02:47 18 Junho 2021
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    O início de um conflito de grande escala na região de Donbass, dividida geograficamente entre a Rússia e a Ucrânia, parece estar ficando cada vez mais plausível. As ações e retórica das partes envolvidas o evidenciam.

    O colunista da Sputnik Timofei Sergeitsev avaliou qual resposta a Rússia poderia dar aos recentes eventos na região.

    Na época, o presidente russo Vladimir Putin formulou três condições por parte da Rússia que a Ucrânia não pode violar. Elas são: a proibição de tomar Donbass com uso da força; caso seja empreendida uma tentativa de ofensiva na região, o Estado nominal da Ucrânia será dissolvido; nenhuma das repúblicas pós-soviéticas pode ser usada pelo Ocidente para prejudicar a Rússia.

    Além disso, caso a Ucrânia resolva forçar a tomada de Donbass, a Rússia levantará a questão da proteção dos cidadãos russos na região. Assim, o país vai agir com base em sua própria soberania, podendo até deixar para trás os métodos diplomáticos.

    Sergeitsev aponta que, além de Donbass, existe ameaça para outros territórios russos que fazem fronteira com a Ucrânia, julgando isso não apenas pelas declarações da administração ucraniana, mas também pelo "próprio tipo de militarização ucraniana, baseada em mecanismos de agressão especificamente nazistas".

    Sociedade nazista

    Enquanto isso, aponta o colunista, o método fascista de realização de uma ditadura de fato é usado na Ucrânia não apenas para mobilizar a população para transformações internas, mas também para promover uma agressão em grande escala dirigida ao exterior.

    Segundo Sergeitsev, a remoção de tal sociedade nazista exige não apenas "cortar seu topo", mas também limpar o próprio povo da influência nazista e do envolvimento na ideologia e práticas nazistas. Neste caso, aponta o analista, o vetor político de "buscar a entrada na Europa" é entendido pelo prisma dos ideologistas e da população como sinal de supremacia racial.

    Moradores locais de Donbass, 9 de abril de 2021
    © AP Photo
    Moradores locais de Donbass, 9 de abril de 2021

    De fato, aponta Sergeitsev, na Ucrânia há muito tempo que o poder perdeu a ligação com a lei e a Constituição. Desde 2014, o poder lá é exercido através do terror, ou seja, da intimidação dos que não concordam com ele.

    O analista recorda que o Estado repressivo ucraniano usa diversos "esquadrões da morte", como Azov, Pravy Sektor (Setor de Direita) etc. O assassinato do jornalista opositor Oles Buzina a tiros aconteceu após repetidas ameaças. Em Odessa, na Casa dos Sindicatos foram queimados vivos opositores contra golpe de Estado em 2014.

    "O sistema judicial da Ucrânia é repressivo, ignorando crimes dos terroristas nacionalistas e emitindo acusações falsas contra seus oponentes – até o crime de alta traição, da qual os jornalistas são frequentemente acusados."

    Sergeitsev aponta que o nazismo ucraniano já delimitou seus apetites territoriais em relações à região russa de Kuban e à parte russa da região de Donbass, entre outras. A Rússia leva a sério tais intenções, especialmente tendo em conta a mobilização da população, tal como os trabalhos de mobilização, organização e técnico-militares do governo ucraniano para aumentar o potencial militar, que visa não apenas "resolver a questão de Donbass", mas tem uma perspectiva de agressão a longo prazo.

    E se Ucrânia atacar Donbass?

    O analista aponta que, caso a Ucrânia avance contra Donbass, os métodos que visariam forçar a Ucrânia à paz, similares aos empreendidos pela Rússia em 2008 contra a Geórgia, não serão suficientes. Não será possível apenas delimitar e proteger os territórios que serão sujeitos à agressão, terror e crimes de guerra por parte das formações nazistas ucranianas. Segundo Sergeitsev, diferentemente da Ucrânia, a sociedade georgiana na época não tinha passado por um processo de nazificação minimamente comparável ao da Ucrânia.

    Casas no povoado da mina Glubokaya, em Donbass, praticamente abandonadas após início das ações militares na região.
    © Sputnik / Sergei Averin
    Casas no povoado da mina Glubokaya, em Donbass, praticamente abandonadas após início das ações militares na região.

    Além de um grande volume de trabalho político de nazificação, efetuado de maneira consequente desde 2014, esta tem sido preparada estrategicamente, através da ideologia, educação, política cultural e social.

    A Rússia, como a nação que sofreu mais da agressão nazista no século XX, pode realizar a desnazificação da Ucrânia no âmbito de sua própria jurisdição militar (tribunal militar), sem recorrer a instituições da Justiça internacional. O analista ressaltou que o nazismo ucraniano não apenas tem sido construído seguindo o exemplo do nazismo alemão, mas se assume como herdeiro deste, tendo declarado sua continuidade.

    Condenações e proibições "decorativas" em relação à experiência nazista alemã têm sido usadas apenas como uma camuflagem retórica e têm a ver apenas com o próprio fato de a Alemanha ter atacado a Ucrânia, enquanto a própria ideia de superioridade racial, aplicada pelos alemães, e tudo o que dela deriva não tem sido condenada, mas tem sido aceita como exemplo a seguir.

    Para lidar com o nazismo uraniano, o colunista propõe estabelecer garantias de neutralidade militar do país e até a possível reforma da Ucrânia em uma confederação de regiões, com possível separação tanto de partes ocidentais como do leste de sua composição. É algo que seguiria o exemplo da própria Alemanha pós-nazista. O autor concluiu que para punir os criminosos de guerra ucranianos e seus cúmplices até se poderia suspender a vigência da moratória à pena de morte.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    nazismo, Vladimir Putin, Donbass, Ucrânia, Rússia
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