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    Coronavírus no Brasil no início de março de 2021 (92)
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    Enquanto o governo brasileiro enviou comitiva a Israel para negociar o spray contra a COVID-19 que vem sendo desenvolvido no país, o Instituto Butantan entregou à Anvisa um pedido para testar em humanos um soro contra o coronavírus.

    Na última sexta-feira (5), o Instituto Butantan solicitou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) uma autorização para realizar testes de um soro contra a COVID-19 em humanos.

    Enquanto isso, uma delegação do governo brasileiro viajou para Israel para negociar a possível compra do medicamento EXO-CD24, um spray nasal contra a COVID-19 que ainda está em fase de testes clínicos no país.

    O médico nefrologista José Medina, um dos desenvolvedores do medicamento do Instituto Butantan junto com o infectologista Ésper Kallás, disse à Sputnik Brasil que os tratamentos possuem características muito distintas.

    "A molécula CD-24 tem o objetivo de modular a resposta imunológica que é exacerbada quando ocorre a infecção pela COVID-19. Então a função dela é inibir a resposta inflamatória exacerbada [...] ela inibe a resposta inflamatória, mas não ataca o vírus", explicou.

    Desenvolvido pelo Centro Médico Ichilov, em Israel, o EXO-CD24 ainda não tem eficácia comprovada. O objetivo do spray nasal é impedir uma reação exacerbada do sistema imune durante a infecção causada pelo novo coronavírus. 

    Já o tratamento desenvolvido pelo Instituto Butantan diz respeito a um soro policlonal de uma imunoglobulina G que é constituída por uma quantidade grande de anticorpos que atacam o vírus diretamente.

    "Aquilo que o organismo normalmente produz, aquilo que o organismo humano normalmente faz de produzir os anticorpos e responder contra o vírus, que demora alguns dias, esse soro policlonal já contêm uma quantidade grande de anticorpos e, uma vez injetado, já ataca diretamente o vírus sem precisar guardar a produção humana dessa imunoglobulina ou desse tipo de anticorpo", afirmou José Medina.

    O médico observou que o spray israelense e o soro desenvolvido pelo Butantan são "propostas totalmente diferentes", mas destacou que ambos os medicamentos "podem ser efetivos".

    Índia guarani recebe agentes do Instituto Butantan para realizar teste para COVID-19, em Cananéia (SP), 10 de julho de 2020
    © AP Photo / Andre Penner
    Índia guarani recebe agentes do Instituto Butantan para realizar teste para COVID-19, em Cananéia (SP), 10 de julho de 2020

    "A plataforma de produção desse spray é uma inovação ainda, enquanto esse soro policlonal é bastante utilizado em outro tipo de atividade médica como para controle de rejeição de transplante, e também como soro antiofídico que é produzido aqui no próprio Butantan. Então o Butantan tem já uma tradição para a produção desse tipo de soro com anticorpo policlonal, que é uma imunoglobulina G", afirmou.

    O especialista acrescentou também que o desenvolvimento destes medicamentos deve ser complementar à produção de vacinas, pois "a vacina não dá uma proteção de 100% das pessoas".

    "Sempre vão ter algumas pessoas que vão adquirir a doença mesmo sendo vacinada. Nós temos o exemplo da vacina da gripe da influenza, que a maioria das pessoas são vacinadas e um grupo dessas adquiriu essa doença e desenvolveu doença grave que precisa de um tratamento adicional", afirmou Medina.

    "Esse anticorpo policlonal ou o spray com a molécula CD-24 podem trazer benefício para as pessoas, que mesmo sendo vacinadas, desenvolveram uma doença grave", completou o especialista.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tema:
    Coronavírus no Brasil no início de março de 2021 (92)

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    Tags:
    Instituto Butantan, novo coronavírus, pandemia, medicamento, Israel, Brasil, COVID-19
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