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    COVID-19 no Brasil em meados de janeiro de 2021 (97)
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    A aprovação do uso emergencial de duas vacinas contra a COVID-19 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária fortalece a ciência e a democracia no Brasil, avalia, em entrevista à Sputnik, a virologista Giliane Trindade, da UFMG.

    Neste domingo (17), após uma reunião de cinco horas, diretores da Anvisa aprovaram, por unanimidade, o uso emergencial das vacinas CoronaVac, desenvolvida no Brasil pelo Instituto Butantan com o laboratório chinês Sinovac, e AstraZeneca, desenvolvida pela Universidade de Oxford em colaboração com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

    Minutos após essa aprovação, o governo de São Paulo decidiu aplicar a primeira dose da CoronaVac na enfermeira Mônica Calazans, de 54 anos, que se tornou a primeira pessoa a ser vacinada oficialmente contra a COVID-19 no Brasil. 

    ​"Vejo a aprovação, por unanimidade, como uma vitória da ciência e um sonoro recado de não ao negacionismo que insiste em se perpetuar no Brasil! A ciência sai fortalecida, a Anvisa sai fortalecida e, consequentemente, a democracia também. Nossos pesquisadores foram incansáveis para colocar as duas vacinas em posição de serem avaliadas pela agência reguladora, respeitando todos os critérios de segurança e qualidade, e a Anvisa fez um trabalho hercúleo para, em tempo recorde, fazer o criterioso trabalho de avaliação de tantos parâmetros técnicos", afirma, em declarações à Sputnik Brasil, a virologista Giliane Trindade, do Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais.

    Segundo a pesquisadora, essa aprovação das vacinas, cuja reunião foi transmitida ao vivo pela TV, também fortalece de alguma forma a própria população brasileira, que pôde conhecer um pouco melhor os critérios técnicos e a práxis do processo de avaliação de imunizantes.

    "Isso é histórico no Brasil!", avalia a cientista.

    Para Trindade, com a liberação da CoronaVac e da AstraZeneca, os próximos passos referentes aos planos de vacinação nacional poderão ser dados com mais organização e legitimidade. O Ministério da Saúde prevê iniciar na próxima quarta-feira (20) a campanha nacional de vacinação, enquanto o governo de São Paulo pretende iniciar a imunização no estado já nesta segunda-feira (18).

    "Estados e municípios devem iniciar a organização das suas campanhas imediatamente", opina a virologista.

    Ainda de acordo com a especialista, a decisão tomada hoje (17) pela Anvisa abre caminho também para que outras vacinas contra o novo coronavírus possam ser aprovadas no Brasil, "desde que respeitando todos os critérios de avaliação que foram tão bem apresentados".

    "Para o país, ter diferentes vacinas aprovadas pode significar uma possibilidade de ampliação da vacinação coletiva, uma vez que poderemos ter vários fornecedores. Essa ampliação também poderia evitar desabastecimento no país."

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    COVID-19 no Brasil em meados de janeiro de 2021 (97)

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    Tags:
    ciência, democracia, vacinação, vacina, COVID-19, Vacina CoronaVac, novo coronavírus, São Paulo, Brasil
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