18:55 26 Novembro 2020
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    Coronavírus no Brasil em meados de setembro (42)
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    Foi noticiado nesta semana que um estudo da Fiocruz, em parceria com o Instituto de Pesquisa Infantil Murdoch, da Austrália, vai começar a testar no Brasil a vacina da tuberculose, a BCG, contra o coronavírus.

    O objetivo da pesquisa é determinar se a BCG é capaz de impedir a infecção pelo coronavírus ou se é capaz de amenizar a enfermidade. A vacina contra a tuberculose estimularia a resposta inata do sistema imunológico contra vários patógenos, e não somente o bacilo da tuberculose.

    A médica pediatra e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabela Ballalai, em entrevista à Sputnik Brasil, declarou que quando uma informação dessa é publicada, "em pouco tempo a gente já vê a população buscando a BCG sem que seja naquela rotina que é vacinar os menores de cinco anos".

    Ela observou que a BCG é uma vacina que tem alguns usos que não são regulares, visando melhorar a imunidade, como o uso para o tratamento de câncer de bexiga.

    "Mas é justamente a pesquisa é que vai dizer, que vai encontrar evidência científica de que a BCG possa contribuir para a imunização ou para a resistência dessa pessoa em relação à infecção pelo vírus da COVID-19. A gente ainda não tem essa evidência ainda", destacou.

    De acordo com Isabela Ballalai, que também é coordenadora do Grupo de Trabalho em Vacinação e Imunização do CREMERJ, hoje a gente "não pode entender que a BCG seja capaz ou não de proteger da COVID-19".

    "Outro fator importante é lembrar que, assim como a pesquisa de novas vacinas, a pesquisa em relação à utilização da BCG nesse sentido, vai ser uma pesquisa com etapas, diferente das pesquisas de uma vacina nova, mas entender que vai existir um grupo placebo, um grupo que vai tomar a vacina, e pra a gente avaliar se isso fez diferença para o grupo que tomou a BCG ou não, isso vai demandar tempo, não é uma coisa rápida", afirmou a médica.

    Ao comentar que anos atrás houve um projeto de reaplicar a vacina BCG para crianças de mais de dez anos de idade para verificar se isso poderia prevenir a meningite e a tuberculose, a especialista disse que a revacinação "não foi eficaz para evitar a tuberculose pulmonar e ainda foi causa de muito efeito adverso por causa da BCG".

    "Então pessoas que já tomaram a BCG, pessoas que tiveram contato com o bacilo da tuberculose [que são maioria no Brasil], têm um risco maior de evento adverso grave por BCG", afirmou.

    "É mais um fator para a gente imaginar que vai vacinar a população adulta com BCG, é muito pouco provável de isso se tornar realidade", completou a especialista.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tema:
    Coronavírus no Brasil em meados de setembro (42)

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    Tags:
    Fiocruz, tuberculose, novo coronavírus, COVID-19, vacina
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