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    Brasil na luta contra COVID-19 no final de julho (61)
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    No dia 26 de fevereiro deste ano o Ministério da Saúde confirmou o primeiro caso de coronavírus no Brasil. Cinco meses depois, o país ainda tem a doença fora de controle.

    O cientista político e professor de Relações Internacionais da UERJ, Maurício Santoro, em entrevista à Sputnik Brasil, observou que o país é o segundo com maior número de mortos por coronavírus e está se aproximando do número de cem mil mortos, considerando que há muita subnotificação. De acordo com ele, o Brasil tem sido um "exemplo muito ruim de resposta à pandemia".

    "A resposta brasileira para a COVID-19 é terrível, não só em relação a países ricos, mas também com respeito a outras nações em desenvolvimento, inclusive vizinhos na América Latina, que conseguiram controlar a pandemia de maneira bastante eficiente. Países como a Argentina, Uruguai, Paraguai, que deveriam ser uma referência para o Brasil nessa área", disse.

    De acordo com ele, as razões para esse cenário são "as dificuldades brasileiras de realizar medidas efetivas de isolamento social e um negacionismo da gravidade da doença, da gravidade da situação atual, tanto por parte das autoridades brasileiras, quanto muitas vezes por líderes religiosos, líderes empresariais".

    "Os países que conseguiram realizar uma contenção bem sucedida do coronavírus foram aqueles em que há unidade na liderança política e um nível elevado de coesão social. E lamentavelmente não é o que nós temos no Brasil atualmente. Quando nós vemos o presidente dizendo uma coisa sobre a pandemia, os governadores e prefeitos dizendo outra, e líderes religiosos e empresariais com suas próprias versões, cada um com uma receita diferente, o resultado é que a população fica muito confusa", argumentou o especialista.

    "Nós sabemos o quanto é difícil fazer uma quarentena bem sucedida, o quanto é complicado, o quanto isso exige de sacrifícios individuais, muitas vezes com um impacto econômico enorme na vida das pessoas. Então essa retórica confusa, essa divisão na elite política brasileira agravou muito um quadro de fragilidade social pra quarentena, que já era muito alto, mesmo no início", acrescentou.

    Ao comparar a resposta à pandemia da COVID-19 no Brasil com os demais países latino-americanos, Santoro afirmou que a diferença tem sido, principalmente, a "atitude dos presidentes, da cúpula política de cada país, que, de maneira geral, reconheceram a seriedade da pandemia e realizaram medidas efetivas de isolamento social, conclamaram a população a ficar em casa, a se proteger do coronavírus".

    O cientista político observou que há excessões na América Latina que são mais próximas da resposta brasileira, como o México e o Equador, mas destacou que mesmo na cidade equatoriana de Guayaquil, que enfrentou um colapso social com a pandemia, houve uma recuperação por conta de "parcerias entre o poder político e a liderança empresarial, identificando os bairros da cidade onde havia mais casos, então é também uma história inspiradora para o Brasil".

    "Ainda é possível para as grandes cidades brasileiras saírem da situação trágica na qual nós caímos e realizar uma resposta bem sucedida à pandemia", completou.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tema:
    Brasil na luta contra COVID-19 no final de julho (61)

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    Tags:
    governo, Brasil, pandemia, novo coronavírus, COVID-19
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