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    Brasil enfrenta COVID-19 (101)
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    Governo está bem intencionado ao anunciar linha de crédito para empresários, mas falta planejamento e sobram incertezas em relação à crise do coronavírus, segundo disse economista à Sputnik Brasil.

    Além disso, o especialista em finanças e custos gerenciais Fernando Dias Cabral alerta que, se alguns setores ficarão mais calmos com a ajuda, outros, como o varejo, continuarão em situação muito complicada.

    Na sexta-feira (27) passada, o governo anunciou que liberará uma linha de crédito de R$ 40 bilhões para pequenas e médias empresas pagarem seus funcionários por dois meses.

    O pacote será liberado em duas parcelas de R$ 20 milhões, e poderá pagar integralmente trabalhadores que recebem até dois salários mínimos. Serão beneficiadas empresas com rendimento entre R$ 360 mil e R$ 10 milhões por ano.

    'Não dá para ter ideia se valor vai ser suficiente'

    "Não dá para ter uma ideia se o valor vai ser suficiente. E também não temos noção de até quando vai a quarentena, que pode durar um período maior [do que dois meses]. Essa resposta ninguém tem", disse o economista e administrador de empresas.

    Cabral também afirma que os efeitos positivos do pacote dependerá muito do setor do mercado.

    "Existem muitas variáveis envolvidas. Uma muito relevante é a questão setorial. Certos setores da economia têm estrutura de custos onde a folha é extremamente representativa, e outros onde não é tanto", afirmou.

    Por isso, o economista acredita que a linha de crédito vai "acalmar" principalmente o "segmento no qual há muita necessidade de mão de obra, como de terceirização, com folha de pagamento muito alta e valor pago aos profissionais geralmente de até dois salários mínimos".

    'Muito difícil acalmar os ânimos'

    Por outro lado, Cabral disse que "empresas de outros segmentos, como o varejo, onde a folha não é tão representativa quanto outros gastos, como o aluguel", o pacote pode não ajudar tanto. 

    "Para esses vai ser muito difícil acalmar os ânimos", afirmou o especialista.

    Segundo Fernando Dias Cabral, o governo "está bem intencionado e o pacote vai ajudar a manter as empresas vivas por mais algum tempo", embora não se saiba até quando.

    "A engrenagem do sistema econômico parou, e o mercado está no mesmo compasso que o governo, não existe um planejamento, uma estratégia, para saber até onde esse problema do coronavírus vai nos levar", disse.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    crédito, COVID-19, pandemia, Crise, governo, empresas, economia, novo coronavírus
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