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    Os métodos usados por agências de classificação de risco podem ser arbitrários, e após crise do coronavírus será preciso buscar alternativas para avaliar os países, disse economista à Spunik Brasil.

    Na quarta-feira (25), a Moody’s divulgou novas projeções para a economia dos países do G20 em 2020. Segundo a agência, o bloco deve registrar retração de 0,5%, enquanto o Brasil terá um Produto Interno Bruto negativo de 1,6%.

    O economista Renato Galvão Flores, do Núcleo de Prospecção e Inteligência Internacional da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro, questiona os critérios usados pelas agências.

    "As agências de risco têm um razoável poder, pois determinam, não só para os mercados financeiros, a confiabilidade de um país em termos de investimento e relações econômicas que as nações têm entre si. Mas é preciso ressaltar que esse poder tem sido muito discutido e tem um lado arbitrário", afirmou o especialista.

    Agências ainda são únicas alternativas

    Ele admite, porém, que hoje em dia não existem alternativas para avaliar a saúde financeira dos países. 

    "Mas até o momento não se conseguiu chegar a uma alternativa, um substituto. Muitas vezes elas atuam como uma luz no meio da escuridão. A alternativa menos pior quando se quer fazer uma alocação de investimento, desenhar um portfólio", disse Flores.

    Pensando no futuro, em um mundo pós-coronavírus, quando as "efeitos" da pandemia tiverem diminuído, o economista diz que será preciso criar "outros critérios para avaliar a situação dos países".

    "Vamos entrar numa fase muito séria globalmente, onde penso que devemos utilizar outros critérios para avaliar a situação dos países. Não sei o que as agências vão fazer, elas têm mostrado razoável rigidez para lidar com assuntos excepcionais. Mas há uma possibilidade, e sou favorável, que houvesse uma reavaliação de critérios, de como tratamos e julgamos as diferentes situações difíceis que vamos encontrar na economia internacional", afirmou Flores.

    'Queda séria da atividade econômica'

    O especialista, no entanto, não tem dúvidas em apontar que o cenário recessivo é uma realidade global.

    "Podemos ter certeza de que teremos uma queda séria da atividade econômica. E não localizada em um, dois ou três países, mas generalizada", disse.

    Flores alertou ainda para um impacto negativo maior do que o previsto nos Estados Unidos, o que exigiria "sermos duas vezes mais inteligentes e criativos para enfrentar a situação".

    De acordo com a Moody’s, os EUA terão uma retração de 2% em 2020. A China, por seu lado, registrará um crescimento tímido para os padrões do gigante asiático, de 3,3%, enquanto a Europa terá PIB negativo de 3%.

    "Se os Estados Unidos sofrerem um impacto significativo, tudo deve ser tomado com mais pessimismo", disse Renato Galvão Flores.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    COVID-19, China, Brasil, EUA, pandemia, financeiro, FGV, recessão, economia, Moody's, novo coronavírus
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