20:49 07 Agosto 2020
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    Não havia outra alternativa a não ser a paralisação da produção das fábricas de veículos no Brasil, segundo disse à Sputnik Brasil especialista no setor automotivo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo.

    Das 65 unidades de produção de veículos no país, mais de 30 já anunciaram a suspensão de suas atividades devido à pandemia do novo coronavírus – e a tendência é que esse número aumente com paralisações programadas para os próximos dias.

    Na segunda-feira (23), Hyundai, Nissan e Jaguar Land Rover anunciaram a interrupção de suas fábricas. A medida já tinha sido tomada pela líder em vendas de carros, a General Motors (GM), dona da Chevrolet, e por Volkswagen, Ford, Caoa Chery, Mercedes-Benz e Volvo Caminhões.

    "A paralisação da produção de todas as marcas no Brasil é uma adequação a uma nova realidade que se faz presente no país, fruto do coronavírus na sociedade. Não existia outra alternativa que não fosse a paralisação de todas as unidades", disse o engenheiro Antônio Jorge Martins, coordenador do curso de MBA em Gestão Estratégica de Empresas da Cadeia Automotiva da FGV. 

    'Preocupação com a saúde dos funcionários'

    Segundo o especialista, a medida foi adotada por uma "conjugação de fatores", que envolvem as questões sanitária e econômica.

    Por um lado, "tem a preocupação com a saúde dos funcionários e colaboradores, da própria diretoria, dos executivos envolvidos em todas as instalações industriais", afirmou Martins.

    Por outro, o professor da FGV aponta que a produção precisa ser racionalizada pois as vendas diminuíram.

    "Na medida em que o próprio governo brasileiro e a Organização Mundial da Saúde orientam os países a incentivar a população a ficar em casa, de uma forma geral se reduz todos os movimentos existentes para se adquirir veículos novos e até mesmo usados", ponderou.

    'Ociosidade nas fábricas'

    Para Martins, o confinamento "faz com que haja uma ociosidade muito grandes nas fábricas, concessionárias e empresas reparadoras de veículos". Por isso, "como não existe a menor possibilidade de aquisição de veículos", o ideal é "guardar as horas existentes para um futuro momento, onde possa se esperar um reaquecimento das vendas".

    Em relação à desvalorização do real, que pode encarecer os veículos, o especialista disse que existiria maneira de contornar o problema incentivando as vendas para o mercado externo. No entanto, com a crise global, a demanda está afetada de forma global. 

    "A única forma que as empresas têm de fazer frente aos prejuízos decorrente da politica de desvalorização, quando os custos ficam maiores, é otimizar esforços a favor das exportações de veículos", argumentou.  

    Bolsonaro defende fim do confinamento

    Embora governos estaduais, prefeituras, profissionais da área médica e o Ministério da Saúde tenham reforçado pedidos de quarentena, inclusive com medidas restritivas à circulação e ao comércio, o presidente Jair Bolsonaro defendeu em pronunciamento feito na terça-feira (24) o fim do confinamento para estimular a economia.

    Na manhã desta quarta-feira (25), ele reiterou que a população deve retornar para suas atividades normais, argumentando que apenas idosos e pessoas com problemas de saúde devem se isolar.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    Jair Bolsonaro, fábricas, montadoras, recessão, pandemia, câmbio, real, dólar, setor automotivo, veículos, economia, novo coronavírus
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