16:35 29 Março 2020
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    Brasil enfrenta COVID-19 (209)
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    As bolsas em todo o mundo sofreram fortes quedas na última segunda-feira por conta da epidemia do coronavírus e da crise dos preços do petróleo.

    O coordenador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), Rodrigo Leão, em entrevista à Sputnik Brasil, afirmou que a crise do petróleo tem como primeira origem um problema de demanda.

    "O primeiro fator que a gente tem que observar é a queda da demanda asiática por petróleo. Hoje os três maiores países da Ásia - China, Índia e Japão - importam cerca de 18 milhões de barris de petróleo por dia, o que significa mais ou menos 35-37% de tudo que o mundo importa de petróleo. Com a crise do coronavírus esses países, principalmente China e Japão, começaram a ter uma queda nas importações de petróleo", afirmou.

    De acordo com ele, o segundo fator que originou a crise foi a disputa entre a Arábia Saudita e Rússia.

    "Me parece que tem um movimento estrutural importante, que o preço deve se situar em um patamar um pouco mais baixo pelo menos nesse primeiro trimestre, por conta da redução da demanda asiática, que eu não imagino que deva voltar com muita força", destacou.

    Já o coordenador de Estudos de Petróleo, da Diretoria de Estudos Setoriais do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o economista José Mauro de Morais, disse à Sputnik Brasil que a estratégia da Arábia Saudita de abaixar os preços e aumentar a produção de petróleo é uma estratégia muito arriscada no contexto de queda da demanda por petróleo, sobretudo na China.

    Após a forte queda na cotação do petróleo, a estatal brasileira Petrobras perdeu 91,1 bilhões de reais em valor de mercado, representando a maior queda em 34 anos.

    ​De acordo com o economista José Mauro de Morais, a "Petrobras não pode ser refém de acontecimentos muito nervosos na área do petróleo".

    "O petróleo é uma mercadoria muito estratégica e com variações de preços muito rápidas. Então a Petrobras não pode ficar a mercê de uma variação tão rápida como houve ontem e rapidamente também reduzir os preços dos seus derivados", disse.

    De acordo com o especialista, a empresa brasileira deve "aguardar com calma, avaliar a marcha dos acontecimentos e verificar se o novo preço se solidifica, ou se o preço de ontem é fugaz e deve ser superado".

    O coordenador do IPEA avaliou que a estratégia tomada pela Petrobras de aguardar para observar os preços está sendo correta.

    "Essa perda é recuperável ao longo dos meses. Tudo vai depender de como os países vão conseguir controlar o coronavírus. Se os países conseguirem desenvolver medidas apropriadas para controlar o coronavírus, é possível que a Petrobras recupere ao longo dos próximos meses", observou.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tema:
    Brasil enfrenta COVID-19 (209)

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    Tags:
    crise, petróleo, petrobras, novo coronavírus
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