21:33 09 Abril 2020
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    Já afetada pelo surto do novo coronavírus, a economia mundial está sofrendo novas tensões no início desta semana devido a uma queda acentuada nos preços internacionais do petróleo.

    O mercado financeiro foi sacudido nesta segunda-feira por uma forte instabilidade, ocasionada pela queda dos preços do petróleo no mercado internacional. No Brasil, o Ibovespa chegou a cair mais de 10%, o valor das ações da Petrobras tiveram forte queda e o dólar voltou a subir consideravelmente.

    Nesta tarde, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o governo não pretende interferir no setor, deixando a Petrobras livre para manter sua atual política de preços. 

    ​Em entrevista à Sputnik Brasil, o economista Alexandre Cabral, professor do Ibmec-SP, culpou a guerra de preços lançada pela Arábia Saudita por essa instabilidade, iniciada após um desentendimento entre a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e um grupo de países liderados pela Rússia para reduzir a produção do combustível.

    "O principal produtor do planeta [Arábia Saudita] falou que vai vender bem abaixo do que estava vendendo na sexta-feira", declarou o especialista.

    Segundo Cabral, a economia mundial já vinha sofrendo em decorrência do surto do novo coronavírus, que reduziu as atividades econômicas em várias partes do mundo. E a situação só se agravou com esse novo problema.

    "Tem vários países, Argélia, Irã, Kuwait, que, quando o petróleo cai muito, as contas públicas não fecham. Por quê? Porque o Tesouro nacional daqueles países consideram o petróleo a principal fonte de renda de exportação", explica. "Não é só a briga entre Arábia Saudita e Rússia. Outros países, em paralelo, também vão sentir essa pancadaria."

    No caso do Brasil, o professor argumenta que a situação econômica está se deteriorando tanto por conta dessa crise quanto por causa de outros fatores, como a "quarentena coletiva na Itália" devido ao surto da COVID-19, e o anúncio da desaceleração econômica do Japão com a queda no consumo. 

    ​Para Cabral, a postura da Petrobras em relação à crise, de apenas observar os movimentos internacionais, é a mais adequada no momento, por não se saber até onde vai a "guerra" do petróleo.

    "A Petrobras também tem outra preocupação importante, que é o câmbio. Tem muita coisa que ela importa em dólares. Com o dólar disparando, várias importações dela vão ficar bem caras. O custo operacional vai ficar bem caro."

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    importação, Ibovespa, dólar, Bovespa, economia, coronavírus chinês, novo coronavírus, petróleo, Petrobras, Brasil
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