14:36 31 Março 2020
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    A repatriação dos brasileiros que vivem em Wuhan, na China, será balizada por regras de segurança sugeridas pelo Planalto. A Sputnik Brasil ouviu um respeitado infectologista brasileiro que avaliou as medidas apontadas pelo governo brasileiro.

    Após campanha via Internet, um grupo de brasileiros que vivia em Wuhan conseguiu ajuda do governo brasileiro e voltará ao Brasil. O retorno dos brasileiros da área que é o epicentro do surto do novo coronavírus na China está atrelado à adoção de medidas de segurança enviadas pelo governo como Projeto de Lei ao Congresso Nacional.

    Entre as medidas sugeridas no PL estão previstos isolamento; quarentena; realização compulsória de coletas de amostras, exames, vacinas e tratamentos médicos específicos; restrição temporária de entrada e saída do país e de requisição de bens e serviços.

    As aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) que vão buscar os brasileiros na China partiram nesta quarta-feira (5) do Brasil. Além dos repatriados, os militares que participam da missão também serão submetidos às medidas de segurança quando retornarem ao território brasileiro. A previsão é de que as aeronaves cheguem à China na sexta-feira (7) e retornem ao Brasil no dia seguinte. 

    Para comentar as medidas sugeridas pelo governo brasileiro, a Sputnik Brasil ouviu o infectologista Edimilson Migowski, professor de Doenças Infecciosas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

    Migowski, um dos principais especialistas brasileiros na área, acredita que a letalidade apresentada pelo vírus justifica medidas como o isolamento, uma vez que o novo coronavírus, explica, seria até seis vezes mais letal que o H1N1 e 20 vezes mais letal que a Dengue.

    "Não dá para ficar bobeando com ele [o novo coronavírus]. Nesse momento acho que vale a pena sim manter esse grupo em isolamento respiratório de contato, afastado de grandes populações", diz o infectologista em entrevista à Sputnik Brasil.

    A forma de isolamento do grupo trazido da China pelo governo brasileiro também deve ser cuidadosa, segundo o professor.

    "Tendo em vista que esse grupo é considerado de risco elevado - e se não fosse não demandaria uma quarentena de tempo determinado pelo governo - a gente tem que estabelecer grupos", avalia.

    O infectologista aponta que pensa ser melhor separar as famílias, por exemplo, para que não tenham contato com outros grupos que estavam juntos na China e que poderiam estar contaminados.

    "[Temos que] segregar e dentro desses segregados fazer subgrupos onde eu colocaria junto quem já está junto lá [na China], mas não colocaria todo mundo junto em um único local".

    Para ele, algumas medidas devem ser adotadas para garantir a efetividade dessa separação.

    "Guardaria uma certa distância, de dois metros, de um estranho para outro estranho, reforçando a higiene das mãos, monitorando, e a qualquer sinal de infecção respiratória que a gente estabelecesse um isolamento ainda maior desse elemento que vier, infelizmente, a desenvolver um quadro respiratório", aponta o professor.

    Segundo ele, é importante ter em mente que o isolamento do grupo do resto da população protege quem está fora do isolamento, mas não protege "eles deles próprios".

    Migowski também mantém o bom humor e sugere uma comemoração após o isolamento.

    "Depois que passar esse período de quarentena você faz uma festa, toma um drinque, faz um churrasco para comemorar o êxito", brinca o infectologista.

    Por fim, o professor comenta que o isolamento de 18 dias, sugerido pelo governo brasileiro, aponta que é possível que o governo tenha alguma informação privilegiada, uma vez que a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de que o isolamento seja de 14 dias.

    "Se eu estivesse à frente disso, com o conhecimento que eu tenho, tomando por base as fontes que eu utilizei, eu colocaria 14 dias seguindo o que a própria OMS vem orientando. A não ser que só eu soubesse alguma coisa que ninguém mais sabe [...] Quero acreditar que se o governo está falando em 18 dias ele deve saber alguma coisa que eu não sei", conclui.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    OMS, China, Edimilson Migowski
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