00:16 11 Agosto 2020
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    Em meio às tensões no Oriente Médio, gestores, cientistas políticos e especialistas em investimentos debateram o futuro dos investimentos no Brasil e como as tensões externas podem mexer com o mercado brasileiro em 2019.

    Em evento realizado nesta semana e transmitido pelo InfoMoney, autoridades do setor compartilharam suas visões para diferentes mercados de investimentos e falaram sobre os desafios e as oportunidades presentes hoje no mercado brasileiro, que vive a expectativa dos possíveis efeitos, entre outros, dos conflitos entre seus parceiros Estados Unidos e Irã no Oriente Médio.

    Afinal, como as tensões no Oriente Médio podem afetar o mercado brasileiro? O mercado financeiro do Brasil está pronto para enfrentar as consequências de um possível conflito como o de Washington com Teerã? 

    ​Segundo Arthur Vieira de Moraes, professor de Finanças da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) que esteve presente no seminário do InfoMoney, embora a economia brasileira tenha dado sinais de melhoras recentemente, os investidores estrangeiros ainda não parecem muito animados com as possibilidades de negócios no Brasil atualmente. 

    Em entrevista à Sputnik Brasil, o especialista afirma ter notado um comportamento de observação e espera por parte desses investidores em relação aos possíveis benefícios oferecidos pelo mercado nacional neste governo do presidente Jair Bolsonaro.

    "No Brasil, internamente, a economia tem melhorado, os investidores internos, nacionais, têm procurado, cada vez mais, investimentos em artigos reais, em bolsas de valores, e isso tem suprido bastante a demanda", explica o acadêmico.

    Vieira considera que a queda da taxa de juros, que era um atrativo para os investidores internacionais, pode ter afastado um pouco esse tipo de investimento proveniente do exterior.

    "Agora, com a taxa de juros baixa, talvez, não seja, assim, tão atraente para o estrangeiro vir correr o risco-Brasil em troca de um retorno que ele encontra em outras economias até mais desenvolvidas", opina.

    No que diz respeito às potenciais consequências de um conflito internacional de grandes proporções, como o que poderia acontecer entre os Estados Unidos e o Irã, o analista diz acreditar que, a partir do momento em que essa tensão é anunciada, cada investidor consegue traçar o seu cenário e tomar as suas decisões, sobre investir ou não.

    Ele destaca que, nesse caso, o risco maior se dá pelo fato de ainda não ser possível vislumbrar o que vai acontecer no contexto dessas tensões atuais no Oriente Médio. Ainda assim, ele acredita que isso não seria suficiente para provocar a estagnação de economias nacionais, incluindo a do Brasil.

    "O Brasil está preparado? Não, não está preparado para esse evento específico [possível conflito entre EUA e Irã]. Mas todo mundo é preparado para enfrentar solavancos nos seus cenários e nos seus planos de negócios. Então, apesar de não ser bom, isso não causa, assim, uma estagnação de uma economia."

    De acordo com Moraes, tensões como as que têm sido observadas no golfo Pérsico podem afetar "um setor ou outro", internacionalmente, de uma maneira mais enfática, "mas a economia, no geral, vai se adaptando" às novas condições que podem ser criadas.

    "Eu digo que, em economia, com exceção de taxas de juros, não tem nada que é sempre bom ou sempre ruim", afirma o especialista, sublinhando que, muitas vezes, o que pode trazer prejuízo a determinados atores pode trazer benefícios para outros. 

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    Golfo Pérsico, Oriente Médio, conflito, finanças, mercado, economia, Fundação Escola de Comércio Álvarez Penteado (FECAP), Irã, EUA, Brasil
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