14:28 19 Novembro 2019
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    Explosão sobre a cidade fronteiriça síria de Ras al-Ain vista do lado da Turquia, 12 de outubro de 2019

    Como Síria poderia retaliar perante a ofensiva da Turquia? Especialistas explicam

    © REUTERS / Stoyan Nenov
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    Como Damasco e seus aliados podem responder à operação militar da Turquia Fonte de Paz? Vários especialistas comentaram a situação em entrevista à Sputnik Árabe.

    Segundo o deputado do Parlamento sírio Husein Ragib, o governo sírio pode usar todos os meios para repelir a invasão da Turquia, mas no início a resposta do governo será feita de modo diplomático através dos países garantes, do Conselho de Segurança e da ONU.

    "As ações da Turquia são ocupação e agressão", afirma o deputado sírio. "Por isso a Síria tem todas as razões legais para se defender tanto por meios diplomáticos como militares. Isso é referido no artigo 51 da Carta das Nações Unidas."

    Ragib afirma que todos os sírios estão "prontos para combater": "Milhares de homens jovens das mais variadas partes da sociedade síria podem rechaçar essa agressão. O Exército sírio também está pronto para a batalha."

    Situação imprevisível

    Outro deputado do Parlamento sírio, Khalil Taamah, notou em entrevista à Sputnik Árabe que é impossível prever o desenvolvimento da situação: "Síria não está só perante a invasão da Turquia, está sendo realizada uma coordenação com os aliados para respeitar os interesses comuns."

    O deputado sublinhou que a Turquia tem "grandes ambições" no norte da Síria, mas "eles não são tolos para pensar que podem se demorar por muito tempo nas regiões que estão ocupando atualmente", declarou.
    Vista da fronteira entre a Turquia e a Síria, 10 de outubro de 2019
    © AP Photo / Emrah Gurel
    Vista da fronteira entre a Turquia e a Síria, 10 de outubro de 2019

    O especialista russo em problemas dos países do Oriente Médio e do Cáucaso Stanislav Tarasov também apontou para a imprevisibilidade da situação. "Os turcos apostaram tudo. Eles tentaram chegar a um acordo com os norte-americanos, mas não conseguiram. A Turquia está sob ameaça de violação da integridade do seu território devido à criação de um enclave curdo a leste do Eufrates. A Turquia é obrigada a realizar essa operação em desespero." O especialista também notou que Moscou apela ao cumprimento de todos os acordos.

    Só um mês

    Segundo aponta o diretor do Instituto do Desenvolvimento Estatal Contemporâneo, Dmitry Solonnikov, um dos objetivos da operação turca é o efeito informativo e não a eliminação de todos os curdos. "Eles precisam chegar ostensivamente e punir os curdos que ameaçam a segurança do sul da Turquia." O especialista admitiu que esta seja uma operação de curto prazo, decorrendo durante só um mês, e que vai acabar quando a Turquia afastar os curdos das fronteiras do país.

    "Algo parecido ocorreu no Iraque e na Síria. Cria-se uma zona de alguns quilômetros ao longo da fronteira turca para garantir a segurança do país. Ninguém tenciona liquidar o exército curdo", concluiu o especialista.

    Será difícil para Erdogan, mas valerá a pena

    Falando sobre a dificuldade que essa tarefa vai representar para a Turquia, o especialista em Oriente Médio e professor Grigory Lukyanov aponta que os grupos de curdos estão bem equipados com armamento norte-americano e possuem dados obtidos da inteligência dos EUA.

    "Mas neste momento, diz o especialista, formou-se uma situação política favorável para Erdogan realizar essa operação."
    Veículo militar turco na cidade fronteiriça de Akcakale, 11 de outubro de 2019
    © REUTERS . Murad Sezer
    Veículo militar turco na cidade fronteiriça de Akcakale, 11 de outubro de 2019

    Lukyanov aponta que o presidente turco obteve várias possibilidades após ter estabelecido o diálogo com Damasco. Na última vez seu avanço pelo território da Síria foi detido por ataques pontuais da aviação russa. "Por isso é preciso aproveitar as oportunidades que existem hoje", disse o professor.

    Reação dos países árabes

    Vários países árabes já se pronunciaram condenando a operação turca.

    O ministro libanês do Comércio Externo, Hasan Murad, apelou aos países árabes para resistir à agressão turca, demonstrando a "solidariedade árabe comum".

    "Não podemos permitir que a Turquia realize uma depuração étnica e obrigue os sírios a se tornarem refugiados", disse o ministro em entrevista à Sputnik.

    O ministro apontou que primeiramente a Liga dos Países Árabes deve readmitir a Síria na sua composição "para suportá-la política e economicamente". A reunião do Conselho da Liga será realizada já neste sábado, 12 de outubro.

    O ministro apelou aos curdos para colaborarem com o governo sírio "para defender a terra árabe". "É preciso criar unidade e destruir a vontade da Turquia de dividir os países árabes", concluiu o ministro.

    Fonte de Paz

    A Turquia começou a operação militar contra as forças curdas no nordeste da Síria nesta quarta-feira (9) com um ataque aéreo contra a cidade de Ras al-Ain. Outra cidade fronteiriça que foi atingida pelos ataques é Tel Abyad. Em 12 de outubro o Ministério da Defesa da Turquia declarou que a quantidade de "terroristas" neutralizados subiu para 415.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    operação militar, Turquia, Síria
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