21:31 13 Dezembro 2019
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    Especialista: reformas de Bolsonaro não bastam para recolocar Brasil nos trilhos

    © CC BY 2.0 / Rafael Matsunaga/
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    Para especialista, as reformas da Previdência, Tributária e Fiscal não bastam para colocar o Brasil de volta nos trilhos do crescimento econômico.

    Em seu informe anual a ONU reduziu a previsão de crescimento do Brasil em 2019 e 2020. A redução ficou entre 0,4% e 0,6%, em comparação às previsões do ano passado. 

    A ONU estimava que a taxa de expansão da economia brasileira seria de 2,7% em 2019 e de 2,9% em 2020. A nova avaliação, entretanto, prevê crescimento de 2,1% para este ano e de 2,5% para o ano que vem. 

    Dessa forma, o crescimento da economia brasileira ficará abaixo da média mundial, que chegará a 3% neste ano e em 2020. A taxa nacional é menos da metade da média dos emergentes, que devem ter crescimento de 4,3% em 2019 e 4,6% em 2020. As reformas prometidas pelo governo Bolsonaro serão suficientes para tirar o Brasil da crise e fazer o país voltar a crescer em ritmo satisfatório?

    Sputnik Brasil conversou sobre o tema com Istvan Kasznar, economista da Fundação Getúlio Vargas. Para ele, as revisões das taxas de crescimento são comuns, mas o problema é muito mais amplo, pois desde 2016 o país cresce a "taxas medíocres", apesar de todo o grande potencial econômico.

    "Crescer entre taxas de 2% e 2,5% é ridículo, comparando com o que nós habilitaria, dada a nossa capacidade hoje de dispor de mais de 380 bilhões de dólares em reservas internacionais. Nós deveríamos estar crescendo entre 4% e 5%, mas estamos estrangulados por um deficit público gigantesco, por uma previdência, cuja solução não encontra uma solução firme e forte, temos uma legislação trabalhista dúbia e uma série de elementos que dizem respeito à falta de produtividade do país, justamente porque o empresariado foi deixado para trás ao longo dos últimos anos", explicou o economista, que também culpou os impostos pelo baixo crescimento do PIB.

    Ele também lembrou da situação calamitosa de alguns estados, que puxa o país para baixo e advertiu que o novo governo vai precisar buscar soluções políticas e econômicas para sair dessa crise.

    Segundo o professor da FGV, o país precisa "revisar as grandes bases da macropolítica brasileira", pois de "de 1968 para cá temos uma carga fiscal que sobe de década em década".

    Ele lembrou que a carga fiscal, no ano passado, variou, de acordo com diversos estudos, entre 36 e 39% do PIB. 

    Para vencer todos esses desafios, Istvan Kaznar acredita ser necessário um pacto nacional em diversas frentes.

    "É preciso criar um acordo nacional para abrir a economia, liberalizá-la, arejá-la, desregulamentá-la, revisar a legislação com lógica, capacitar o empresariado, retreinar os empregados, facilitar a inovação tecnológica, valorizar a propriedade intelectual no Brasil", disse.

    Por isso, para Kasznar, a realização das reformas da Previdência e Fiscal e Tributária não bastam para recolocar o Brasil sobre os trilhos. 

    "Elas podem ajudar, dar uma sensação de melhora", disse. "Mas não adianta aplicar medidas paliativas sobre um agente que está sumariamente doente", completou.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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