07:51 21 Novembro 2017
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    Caça F-16 da Força Aérea portuguesa  e caça CF-18 Hornet patrol da Força Aérea canadense sobre o mar Báltico (foto de arquivo)

    101ª tentativa: união defensiva da UE como fenômeno inexistente

    © REUTERS/ Ints Kalnins
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    O comentarista do serviço russo da Rádio Sputnik, Ilia Kharlamov, compartilhou sua opinião no que se refere à criação do exército da União Europeia: "mera simulação política."

    "Exército europeu em relação à OTAN é como a Europa em relação aos EUA". Mas o tema impulsina debates ardentes e documentos animadores sobre independência, acrescenta o crítico.

    Mais de 20 países da União Europeia concordaram criar união defensiva conjunta. O dia da assinatura do documento foi considerado pelos europeus como especial para o destino da Europa. Chegam a acreditar que a Europa estaria se movendo cada vez mais rumo à criação de um exército comum.

    Os autores do projeto visam iniciar de forma imediata cooperação estruturada e permanente na área de defesa, possibilitando a união de esforços entre países-membros e recebimento de financiamento do Fundo Europeu de Defesa. Não se preocupem, céticos: autores garantem que, o invés do excesso de gastos com defesa, a iniciativa de unir todos somente trará benefícios financeiros.

    Por um lado, pode-se soar desejo de maior independência da União Europeia aos EUA, independência real e almejada por muitos europeus. Mas todos os esforços podem ter sido estragados com apenas uma declaração da ministra da Defesa alemã, Ursula von der Leyen: "A união defensiva europeia complementa a OTAN." Ou seja, união defensiva europeia seria profundamente secundária, puramente facultativa e, finalmente, provincial.

    De fato, as discussões quanto à criação de um exército europeu independente são conduzidas há décadas. A pilha de documentos continua crescendo, mas sua significância está estagnada. Por exemplo, a resolução aprovada no inverno de 2017 – do hemisfério Norte – pelo Parlamento Europeu sobre o mítico exército europeu.

    É óbvio que a criação do exército verdadeiro questiona o futuro da OTAN. O dinheiro gasto com a defesa não vai aumentar, mesmo perante a "ameaça russa", e ninguém dará suporte a despesas com exército europeu e OTAN ao mesmo tempo. Até hoje em dia alguns membros europeus da OTAN destinam a Bruxelas menos do que o exigido por Washington.

    Além do mais, nenhum político europeu questiona a liderança dos EUA no Ocidente. Por sua vez, os Estados Unidos veem na OTAN uma ferramenta-chave para controle sobre a Europa, de interesse única e exclusivamente norte-americano, inclusive do ponto de vista econômico. Não é por acaso que o presidente Trump sublinhou que os EUA vão apoiar "decisivamente" o bloco militar europeu.

    Consecutivamente, o exército europeu, enquanto Washington não mudar de plano, não passará de uma mera simulação política.

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    Tags:
    defesa, aliança militar, exército europeu, União Europeia, OTAN, Donald Trump, Ursula von der Leyen
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