02:11 26 Junho 2017
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    Logo da  9.ª Cúpula dos BRICS, que acontece nos dias 3, 4 e 5 de setembro em Xiamen, na China

    Exclusivo ‘BRICS: Rússia e China em alta; Brasil em queda’

    © Sputnik/ Zhanna Manukyan
    Opinião
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    Os ministros das Relações Exteriores do BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – estiveram reunidos em Pequim ontem e hoje para debater o futuro de suas inter-relações. Com exclusividade para Sputnik Brasil, especialista analisa posição brasileira no grupo.

    A reunião de dois dias foi preparatória para a 9.ª Cúpula dos BRICS, marcada para os dias 3, 4 e 5 de setembro em outra cidade da China, Xiamen.  

    No encontro de Pequim, coube ao Brasil, representado pelo Chanceler Aloysio Nunes, defender o aprofundamento das relações entre os 5 países. Nas palavras do ministro brasileiro, ficou clara a posição do Brasil em relação ao futuro do quinteto de países:

    "Eu me refiro a eliminarmos obstáculos que ainda existem entre os nossos países, criarmos modalidades práticas de facilitação do comércio entre nós, e também, no que se refere a investimentos intra-BRICS, de modo a termos maior integração produtiva entre nossos países", disse Aloysio Nunes.

    O chanceler brasileiro incluiu as grandes questões criminais como terrorismo, tráfico internacional de drogas e armas e crimes financeiros internacionais no aprofundamento da cooperação dos BRICS. Nunes defendeu uma maior integração entre os órgãos de Inteligência e Informação dos 5 países para que a repressão a esses crimes se dê de forma mais apurada, objetiva e efetiva.

    Estudioso do grupo BRICS, o professor de Relações Internacionais da Universidade Federal de Pelotas, RS, Charles Pennaforte, vê nesse grupo uma ampla possibilidade de os 5 países realçarem seu papel perante a comunidade internacional. Diretor-geral do Cenegri (Centro de Estudos em Geopolítica e Relações Internacionais), Pennaforte aponta os países que, em sua opinião, mais estão se projetando dentro do grupo:

    "Sem dúvida alguma, Rússia e China estão em franca projeção. A lamentar, somente, o decréscimo da influência brasileira. Além disso, a atual política externa brasileira tomou um rumo diferente daquela do Governo anterior, quando o Brasil estava mais integrado ao grupo e exercia um papel de maior destaque perante seus 4 parceiros."

    Na opinião do Professor Charles Pennaforte, Rússia e China são, no momento, os dois grandes do grupo BRICS:     

    "A Rússia, por razões notórias, e, particularmente, como ela soube enfrentar as reações mundiais à sua política para a Ucrânia, superando as dificuldades que lhe foram impostas. E a China pela sua crescente projeção no cenário econômico mundial."

    Quanto aos 3 outros países BRICS, Charles Pennaforte foi enfático:

    "Ao Brasil, já me referi, lamentando que ele tenha invertido suas proposições em relação à política externa. A Índia, a par de toda a sua importância, dá a impressão de que sua projeção ficará restrita à Ásia, da mesma forma que a África do Sul no âmbito do continente africano."

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    Tags:
    Cenegri, Universidade Federal de Pelotas, BRICS, Charles Pennaforte, Aloysio Nunes, África do Sul, Índia, China, Rússia, Brasil
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