20:59 16 Outubro 2019
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    O secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, e o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes Ferreira.

    Crise na Venezuela ou barrar crescimento da China? O que Tillerson e Aloysio discutiram

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    Pela segunda vez, um chanceler brasileiro esteve reunido com o secretário de Estado dos Estados Unidos Rex Tillerson. Antes do encontro entre Tillerson e Aloysio Nunes Ferreira nesta sexta-feira (2), o ex-chanceler José Serra também teve uma reunião com o diplomata estadunidense. Mas, qual o significado do último encontro?

    Como os políticos não concederam uma entrevista coletiva e os órgãos governamentais divulgaram apenas notas protocolares sobre o evento, não há muita clareza sobre as pautas discutidas. Os pontos destacados pelo Itamaraty e pelo Departamento de Estado dos EUA citam agenda bilateral e economia. A delicada situação da Venezuela — que enfrenta uma série de protestos que já deixaram dezenas de mortos — também foi discutida, segundo a nota do Departamento de Estado. A nota do Itamaraty, entretanto, não aborda a situação de Caracas.

    Logo após a foto oficial, Tillerson respondeu uma pergunta fora dos microfones e afirmou que os Estados Unidos irão diminuir suas emissões de gases do efeito estufa mesmo não fazendo mais parte do Acordo de Paris. Não houve mais contato com a imprensa.

    O ministro das Relações Exteriores brasileiro já estava na capital estadunidense para participar da reunião extraordinária da Organização dos Estados Americanos (OEA) marcada para discutir a crise venezuelana. Apesar do encontro, não houve consenso e o grupo não conseguiu sequer emitir uma nota. Há uma outra reunião da OEA agendada para o dia 19 de junho, no México.

    Comércio exterior

    Para a professora da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) Juliana Inhasz, o objetivo do encontro entre Tillerson e Ferreira está mais ligado à economia. A professora afirma que os EUA estão buscando barrar o crescimento chinês na região.

    "A China tomou uma participação muito grande entre os parceiros comerciais brasileiros, é óbvio que ainda temos os Estados Unidos como um importante parceiro comercial para nossas exportações, mas a China aumentou demais sua participação nos últimos anos."

    Inhasz afirma que o Brasil é um país estratégico para barrar o crescimento chinês na América Latina pelo seu tamanho e economia.

    Estados Unidos e China disputam de maneira muito parelha quem vende mais para o Brasil. Em 2016, Washington levou a melhor e vendeu para o mercado brasileiro um total de R$ 23,8 bilhões, enquanto Pequim atingiu a cifra de R$ 23,36 bilhões. Quando o assunto são as exportações brasileiras, todavia, o quadro muda de figura: a China está isolada na liderança como o maior destino dos produtos brasileiras. Em 2016, o Brasil exportou US$ 35,13 bilhões para a China, 19% de todo o volume de exportações. Já os Estados Unidos ficou com R$ 23,15 bilhões em exportações brasileiras.

    A professora da FECAP Juliana Inhasz destaca que ainda não está claro quais os termos do encontro entre Tillerson e Ferreira, mas as commodities brasileiras são os produtos que mais podem ganhar, no curto prazo.

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    Tags:
    Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Departamento de Estado dos EUA, Organização dos Estados Americanos (OEA), Aloysio Nunes Ferreira, Rex Tillerson
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