03:27 22 Setembro 2017
Ouvir Rádio
    Um manifestante de máscara durante os protestos depois de publicação do relatório Chilcot

    Opinião: com que objetivo o Ocidente pratica crimes contra a paz?

    © AP Photo/ Matt Dunham
    Opinião
    URL curta
    274915391

    Afinal, foi oficialmente confirmado que o ex-presidente do Iraque Saddam Hussein não representou nenhuma ameaça porque não tinha quaisquer armas de extermínio em massa, o que foi o principal motivo para intervir no Iraque em 2003.

    Assim, a guerra que os Estados Unidos e Grã-Bretanha fizeram contra Saddam Hussein foi ilegítima e havia a possibilidade de resolver o conflito antes do início da guerra.

    O Relatório Chilcot também levanta outras perguntas mais interessantes – por que George W. Bush e o primeiro-ministro da Grã-Bretanha Tony Blair queriam tanto atacar o Iraque?

    Será que a Primavera Árabe que começou mais tarde fazia parte do mesmo cenário geopolítico?

    A agressão absolutamente ilegítima contra um país soberano é um crime contra a paz de acordo com as regras de Nuremberg que entraram no Direito Internacional depois da Segunda Guerra Mundial, disse numa entrevista à Sputnik o cientista político sérvio Aleksandar Pavic.

    Quem cometeu o crime deve estar na prisão

    É muito provável que depois de relatório Chilcot Tony Blair seja julgado, continua Pavic.

    Mas o que fazer com o fato de a "democracia ocidental" já por muitas vezes ter cometido crimes contra a paz? "Será que o Iraque poderia apresentar uma demanda contra a Grã-Bretanha ao tribunal internacional depois de divulgação deste relatório?", duvida Pavic.

    "A essência do relatório Chilcot é imputar toda a culpa a Tony Blair para desculpar toda a Grã-Bretanha", disse por seu lado o cientista político Dragomir Adnjelkovic.

    Contudo, por quê?

    A pergunta-chave, que apareceu depois do relatório Chilcot, é por que os americanos e britânicos queriam com tanta insistência fazer a guerra contra o Iraque, tinham tanta vontade que violaram o direito internacional e fizeram uso de mentiras?

    "Há um testemunho do general Wesley Clark [o comandante-chefe das forças da OTAN durante os bombardeios da Iugoslávia em 1999] em que ele descreve seu encontro com o terceiro homem no Pentágono de então Paul Wolfowitz. Wolfowitz, depois da primeira Guerra do Golfo em 1991, se tinha lamentado que Saddam Hussein ainda não foi derrubado. <…> Então ele disse a Clark que ‘nós temos 5 a 10 anos para derrubar toda esta clientela soviética, todos estes regimes – da Síria, do Iraque, do Irã – antes que surja um outro poder que possa ficar em oposição", disse Pavic.

    Segundo Dragomir Adnjelkovic, já nos anos 90 o Pentágono queria instaurar o controle sobre as principais jazidas de petróleo e gás, ou pelo menos controlar as rotas de seu fornecimento até os consumidores.

    "Mesmo neste contexto, é preciso estudar a campanha deles no Oriente Médio e no Norte de África”, disse o cientista político. “É preciso controlar a Síria porque ela fica na rota de um gasoduto potencial".

    Foi mesmo por isso que foi necessário derrubar estes regimes, assinala o interlocutor da agência Sputnik.

    Mais:

    David Cameron: 'Erros no Iraque não significam que invasão foi uma falha'
    Pesquisa: Reino Unido entrou na guerra no Iraque antes disso ser o último recurso
    WikiLeaks publica 1.250 emails de Hillary sobre invasão no Iraque
    Tags:
    o relatório Chilcot, democracia, guerra, George W. Bush, Saddam Hussein, Tony Blair, Grã-Bretanha, Iraque, Síria, EUA
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik