20:09 20 Agosto 2017
Ouvir Rádio
    O presidente argentino Mauricio Macri e o seu homologo estadunidense Barack Obama

    Quais são os verdadeiros motivos da visita de chefe militar da Rússia à Argentina

    © REUTERS/ Carlos Barria
    Opinião
    URL curta
    0 3347252

    O comandante das tropas terrestres da Rússia Oleg Salyukov partiu para Argentina em visita oficial, informou o comunicado de imprensa do Ministério da Defesa russo nesta quinta-feira (7).

    A visita vai decorrer em 7-10 de julho e durante a mesma Salyukov vai conhecer a organização do treinamento de combate do Exército Argentino e visitará a Academia nacional militar das forças terrestres.

    Em uma entrevista à Sputnik, Aleksadr Gusev, diretor do Instituto de Planejamento Estratégico, explicou os verdadeiros motivos da visita do comandante-chefe à Argentina.

    Os primeiros meses da presidência de Mauricio Macri mostraram significativas mudanças na política exterior da Argentina. De acordo com o especialista, atualmente Buenos Aires se orienta em primeiro lugar para a cooperação com os EUA.

    O presidente estadunidense Barack Obama dança tango durante a sua visita à Buenos Aires
    © REUTERS/ Carlos Barria
    O presidente estadunidense Barack Obama dança tango durante a sua visita à Buenos Aires

    "Deste ponto de vista, a visita do comandante-chefe das tropas terrestres da Rússia Oleg Salyukov à Argentina tem um significado muito importante, porque nós vemos a necessidade de manter os contatos com esse país latino-americano", afirmou o especialista.

    O analista sublinhou que os países da América Latina, tais como o Brasil, a Argentina, e do Caribe têm sido historicamente parceiros da Rússia, especialmente na área militar. Mas os últimos acontecimentos nos principais países da região, tais como no Brasil, na Argentina e na Venezuela, impedem a ampliação da cooperação bilateral com eles.

    "Eles sempre foram considerados pelo Ministério da Defesa como países que ajudavam a ampliar nossa influência na região", disse ele, acrescentando que "deste ponto da vista, a visita do comandante-chefe russo pode ser considerada como a 'primeira pedra lançada' no sentido da cooperação e poderia ajudar a entender quais são as expectativas do novo governo no diálogo com Moscou".

    À pergunta sobre as possíveis áreas de cooperação bilateral entre os dois países no futuro, Gusev respondeu que Moscou e Buenos Aires tradicionalmente tinham uma cooperação frutífera no setor da defesa.

    "A Argentina é uma potência marítima. Recordamos o conflito com o Reino Unido relacionado com as ilhas Malvinas. E deste ponto de vista a Argentina considera a Rússia como um parceiro muito importante na área de comércio de armas", indicou o especialista.

    As relações entre os dois países sempre foam muito fortes e a situação continuará assim apesar da vontade do novo governo de estabelecer laços fortes com os EUA. Mas, do ponto de vista de diálogo no longo prazo, claro que a intensidade dos contatos vai diminuir, mesmo no setor da defesa.

    No que se refere à questão de construção de bases militares russas na Argentina, Gisev respondeu que isso não corresponde à realidade.

    "A Rússia não considera a possibilidade de posicionamento de tropas ou construção de bases militares na América Latina. Não temos tais objetivos", afirmou ele.

    Ao mesmo tempo, o analista sublinhou que além da esfera militar, a Argentina e a Rússia têm um forte dialogo econômico, que Moscou gostaria de continuar, mesmo em situação de mudança do rumo político do país.

    "Quero indicar que a posição de Washington sobre esta questão é muito firme. É claro que o Departamento de Estado aconselha ao novo governo, literalmente, cessar o diálogo com Moscou. Especialmente na área da defesa e comércio de equipamento militar. Deste ponto de vista, a visita de Oleg Salyukov também deve ser significativa. É importante para nós entendermos a posição do novo governo da Argentina sobre a cooperação com a Rússia no futuro. Por nossa parte, estamos prontos a manter a cooperação no nível que tínhamos, por exemplo, cinco anos atrás".

    Mais:

    Imóveis de Cristina Kirchner são invadidos pela polícia na Argentina
    Choque de trens deixa 40 feridos na Argentina
    Brasil renova acordo automotivo com a Argentina até 2020
    Tags:
    defesa, bases militares, cooperação, Mauricio Macri, Rússia, América Latina, Venezuela, EUA, Argentina
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik