04:09 22 Maio 2019
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    Palácio do Itamaraty

    Diplomacia brasileira é contra interferência de terceiros na crise Venezuela-Colômbia

    Ana de Oliveira/AIG-MRE
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    “A posição do Brasil pela não admissão de um terceiro ator na crise que opõe Colômbia e Venezuela é perfeitamente compatível com os princípios de política externa do país, contrários ao envolvimento e à participação de terceiros países e organizações em assuntos bilaterais.”

    As palavras são de Marcus Vinicius Freitas, professor de Relações Internacionais da FAAP – Fundação Armando Álvares Penteado, em São Paulo,

    em relação ao clima tenso existente entre Venezuela e Colômbia há mais de uma semana. 

    Na quinta-feira, 20, três militares venezuelanos foram mortos por paramilitares colombianos na fronteira entre os dois países. Além dos militares mortos, havia um civil, também venezuelano. Em consequência, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, comunicou ao presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, que a região de fronteira seria fechada por 72 horas. A reabertura deveria ter ocorrido no domingo, 23, porém Maduro decidiu estender a restrição. Além disso, o líder venezuelano mandou de volta para a Colômbia mais de mil imigrantes ilegais colombianos.

    Após Maduro comunicar a Santos que a região de fronteira permaneceria fechada além do período inicialmente previsto, o ex-presidente colombiano Ernesto Samper, atual secretário-geral da Unasul (União de Nações Sul-Americanas), ofereceu-se para intermediar a crise entre os dois países.

    No Brasil, o Ministério das Relações Exteriores, consultado a respeito da intermediação proposta pela Unasul, informou sua posição contrária da diplomacia brasileira a qualquer interferência de países terceiros ou mesmo de entidades e organizações.

    A posição do Itamaraty foi analisada pelo Professor Marcus Vinicius Freitas, que falou com exclusividade à Sputnik Brasil.

    Sputnik: Como o senhor vê essa posição do Brasil advogando uma certa neutralidade diante de Venezuela e Colômbia e até mesmo dispensando a oferta do secretário-geral da Unasul e ex-presidente da Colômbia, Ernesto Samper, para ajudar os dois países a superar esta nova crise?

    Marcus Vinícius Freitas: Isso vai sempre na linha da nossa diplomacia no sentido de não intervir em problemas de outros países e achar que essa situação pode ser resolvida pelas partes em conflito. Mas tudo depende de como o conflito vai se desenvolver. Já houve momentos de tensão entre a Venezuela e a Colômbia. Nós devemos relembrar os problemas que o Presidente Hugo Chávez tinha com o Presidente Álvaro Uribe de fecharem fronteira, de não importarem mais, mas que conseguiram se acertar com o tempo. Se a situação deteriorar nos próximos dias, é claro que teremos a necessidade de recorrer a um terceiro para ajudar. É só pensarmos, por exemplo, naquela questão que se passou entre Argentina e Chile, na questão do Canal de Beagle, em que, por uma intermediação do Vaticano, se resolveu um conflito que era histórico entre os países. Temos o problema do conflito entre o Peru e o Chile, que muitas vezes demanda atuação de órgãos internacionais. A postura do Brasil de dizer que não, que não vai, que não é necessário, tem que ser relativizada porque, se o conflito piorar, com certeza se fará necessária a presença de outros elementos nesta equação.

    Mais:

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    Tags:
    política externa, política internacional, Itamaraty, Unasul, Álvaro Uribe, Hugo Chávez, Ernesto Samper, Marcus Vinicius Freitas, Juan Manuel Santos, Nicolás Maduro, Venezuela, Colômbia, Brasil
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