14:38 12 Julho 2020
Ouvir Rádio
    Análise
    URL curta
    BRICS: organização do futuro (189)
    1823
    Nos siga no

    Os países do grupo BRICS, principalmente a China e a Rússia, estão pouco a pouco promovendo a reorganização do comércio e da infra-estrutura em toda a América Latina, acredita o observador e analista político Pepe Escobar.

    Na sua opinião, os EUA observam esses processos não apenas com desconfiança, mas também com medo, já que a Doutrina Monroe, formulada pelos EUA ainda em 1823 como uma política para limitar a influência de potências europeias na América Latina, está separada por oceanos de distância da atual política de países da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL).

    Dentre os recentes eventos mais marcantes, Escobar destaca o pacote de acordos entre a Rússia e a Argentina, firmado durante a visita da Presidente Cristina Kirchner à Moscou, e o “boom” de acordos de investimento no valor de 53 bilhões de dólares, alcançado durante a visita do primeiro-ministro da China Li Keqiang ao Brasil.

    Segundo Escobar, o capital chinês tem participação no financiamento de praticamente todos os principais projetos de infra-estrutura na América Latina. O mais marcante destes projetos é a construção de uma ferrovia de 3500 quilômetros de extensão, que atravessando a Floresta Amazônica e a Cordilheira dos Andes ligará o Rio de Janeiro, banhado pelo Oceano Atlântico, à costa do Peru, em pleno Oceano Pacífico. Na opinião do especialista, a ferrovia será lucrativa principalmente ao Brasil e seus produtores.

    Além disso, Escobar lembrou que uma empresa de Hong-Kong começou a construir na Nicarágua, no ano passado, um canal mais extenso, largo e profundo do que o canal do Panamá, projeto que deverá ser concluído até 2019.

    O observador destaca, no entanto, que a ampla interação econômica entre o grupo BRICS e os países da América Latina se dá em meio a processos políticos bastantes complicados. Três grande países da região – Argentina, Brasil e Venezuela – foram sujeitos por diversas vezes a tentativas de desestabilização, cujos suspeitos são sempre os mesmos – “os saudosos dos antigos tempos de dependência de Washington”, escreve Escobar.

    Segundo ele, os governos desses países sofrem pressão de fora: a Venezuela enfrenta sanções norte-americanas, a presidente da Argentina sofre constantes ataques diplomáticos, as relações entre o Brasil e os EUA estão praticamente congeladas desde setembro de 2013.

    E a ira de Washington recai igualmente sobre a Rússia e a China. Mas, segundo Escobar, ambos estes países conseguem manter a calma, mantendo o jogo sob controle.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tema:
    BRICS: organização do futuro (189)

    Mais:

    Embaixador do Brasil na Rússia destaca conquistas dos BRICS em VII Fórum Acadêmico
    Deputados brasileiros votam a favor do fundo de salvaguarda financeira dos BRICS
    Câmara aprova a criação do banco de desenvolvimento do BRICS
    Tags:
    cooperação, BRICS, Pepe Escobar, Venezuela, América Latina, China, EUA, Argentina, Brasil
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar