02:10 18 Agosto 2017
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    Vista aérea da Universidade de Oxford

    'Liderança política e honestidade não se aprendem na escola'

    Universidade Oxford / Divulgação
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    A Escola Blavatnik, da Universidade Oxford, no Reino Unido, tem vagas para estudantes brasileiros que desejem ser líderes. Segundo sua diretora, o foco da instituição é lutar contra a corrupção e formar lideranças políticas para o bem do serviço público. O cientista político Antônio Marcelo Jackson comenta.

    A pedagoga neozelandesa Ngaire Woods, diretora da Escola Blavatnik, em entrevista à "Folha de S.Paulo" disse que sua instituição busca "candidatos empenhados em melhorar o serviço público, que demonstrem liderança e que tenham capacidade de aprender com o ambiente da Universidade Oxford e com os colegas na sala de aula". No ano passado, segundo a educadora, Blavatnik teve 117 candidatos de 55 países, com idades entre 21 e 51 anos.

    Ainda de acordo com a pedagoga, que está à frente da instituição fundada em 2010 pelo milionário norte-americano Leonard Blavatnik e faz parte do complexo de ensino de Oxford, "o Brasil tem dado sucessivas demonstrações de democracia desde que o país recuperou seu caráter institucional em 1985, mesmo nos momentos mais delicados da vida nacional". Por isso, ela acredita que haja espaço para que estudantes brasileiros se matriculem na instituição que neste momento está oferecendo duas bolsas a jovens do Brasil.

    Ao comentar para Sputnik as declarações de Ngaire Woods – de que o foco de Blavatnik é lutar contra a corrupção, desestimulá-la e formar lideranças políticas para o bem do serviço público –, o cientista político Antônio Marcelo Jackson, historiador e professor do Departamento de Educação e Tecnologias da Universidade Federal de Ouro Preto, em Minas Gerais, afirma:

    "Em tese, concordamos com os conceitos de Woods. Até porque, na entrevista que concedeu à 'Folha', ela falou em termos altamente genéricos, descartando qualquer possibilidade de ofensa a quem possa se sentir atingido quando ela fala na necessidade de combater a corrupção. Outro ponto para o qual Ngaire Woods chama a atenção é o fato de que, ao lidar com bens públicos e atingir postos de relevo na administração pública, alguns funcionários se sentem tentados a cometer abusos. Claro que não são todos, mas o fato é que não se pode desprezar esta possibilidade. Então, é preciso que uma instituição de ensino, como a Escola Blavatnik, chame a atenção para a necessidade de se manter uma postura moral correta à margem de qualquer especulação."

    Antônio Marcelo Jackson também considerou as declarações de Ngaire Woods de que sua escola forma lideranças:

    "Particularmente, considero complexa esta questão – se líderes podem ser formados em sala de aula. Quando se fala em lideranças, eu me lembro do que dizia um dos pais da Sociologia, o alemão Max Weber, sobre formação de líderes. Para Weber, líderes podem ser divididos em três categorias: a liderança carismática, espontânea; a burocrática, que é imposta; e a liderança tribal, conceitual, que é constituída por pessoas de mais idade e experiência de vida. Então, tenho minhas dúvidas se as lideranças podem ser formadas em salas de aula, ainda que seja para o bem de cada país, como sustenta Ngaire Woods."

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    Tags:
    corrupção, política, liderança, educação, Universidade de Oxford, Antonio Marcelo Jackson, Inglaterra, Brasil
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