02:21 26 Setembro 2018
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    Kim Hong-Ji/Reuters

    Especialista prevê mais recursos para emergentes com saída da Grã-Bretanha da UE

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    A vitória do Brexit no plebiscito da Grã-Bretanha, que determinou a saída do país da União Europeia após 40 anos, vai mudar radicalmente o destino de aplicações dos investidores mundiais. Países como Brasil, Rússia e outras economias emergentes devem, na análise dos especialistas, atrair mais recursos frente à atual face de incertezas.

    Uma prova dessa movimentação já pode ser observada nos Estados Unidos, onde os grandes investidores colocaram US$ 1,75 bilhão em fundos negociados em bolsas americanas que investem no mercado de compra de títulos públicos de países e ações no mercado emergente. O montante é o maior em três meses, segundo levantamento realizado pela Bloomberg. Nos EUA, na Europa e no Reino Unido, a volatilidade dos mercados disparou após a vitória pela saída da Grã-Bretanha da UE, enquanto no Brasil, Rússia e outros países praticamente se manteve estável.

    A Amundi Asset Management em Londres, maior empresa de investimentos do continente, com US$ 1 trilhão em gestão, já estuda comprar mais títulos do Brasil e da Rússia. O BNP Paribas também ampliou a presença na Rússia, na Colômbia e na África do Sul.O francês Société Générale já está comprando mais títulos em rublo em Moscou e em ações na África do Sul, no maior volume desde 2009. Outro exemplo do maior interesse pela diversificação nessas economias pode ser observada no mercado de compra de dívida pública. Nesta semana, os títulos britânicos ofereciam um "risco político" maior que os dos países emergentes. Um título de dez anos do governo britânico pagava um prêmio de 0,97%, contra uma variação de 8,5% a 12,2% na Rússia, no Brasil e na África do Sul.

    O economista e sócio da E2 Economia.Estratégia, Márcio Pagés, é um dos especialistas que vê um momento favorável para o maior redirecionamento de recursos para as economias emergentes.

    "(A saída da Grã-Bretanha da UE) traz uma volatilidade bastante intensa. Esse é um momento em que, quando aumentam os riscos nos países desenvolvidos, abre uma janela de oportunidade para emergentes como Brasil e Rússia capturarem um pouco dessa oportunidade. Isso vai depender de quão preparados os países estão, quão sólidas são suas bases. No caso do Brasil, a gente vive hoje um momento bastante positivo, onde a confiança no governo e na política econômica volta a ser retomada. Fazendo o dever de casa isso pode se transformar em uma oportunidade. Para o mundo como um todo já é um desafio maior, com aumento do protecionismo e redução de globalização."

    Pagés entende que os bancos centrais têm reagido de forma coerente nessse momento de volatilidade. 

    "Quando o Banco Central dos Estados e os europeus demonstram cautela na questão do aperto monetário, isso significa mais liquidez para o mercado financeiro e um cenário de mais liquidez é sempre mais favorável para as economias emergentes. Esse impasse deve ser perpetuar por algum tempo na Europa, é uma questão de posição de negociação. A Europa só pode iniciar uma negociação depois que a Grã-Bretanha oficializar o pedido de saída."

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    Tags:
    governo, títulos, risco, países emergentes, investidores, BCE, Federal Reserve (Fed), União Europeia, Mundo, Brasil
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