04:06 05 Agosto 2020
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    Direitos humanos e relações com UE são destaques na Cúpula do Mercosul

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    A 49.ª Cúpula do Mercosul, realizada nesta segunda-feira, 21, em Assunção, teve como destaques os direitos humanos e os próximos desafios econômicos do bloco. Nesta reunião, o Paraguai transferiu ao Uruguai a presidência pro tempore do Mercosul.

    Em seu discurso na Cúpula, a Presidenta Dilma Rousseff saudou a primeira participação do novo presidente da Argentina, Mauricio Macri, frisando que a Argentina constitui um dos eixos importantes da organização regional do bloco.

    "Quero, em especial, dar ao Presidente Mauricio Macri as boas-vindas a essa sua primeira Cúpula do Mercosul. Desejo-lhe êxito na missão de conduzir os destinos da Argentina nos próximos anos. Sem sombra de dúvida, a Argentina constitui um dos eixos desta nossa organização regional."

    Dilma Rousseff também felicitou o Presidente Nicolás Maduro e o povo da Venezuela, pelo espírito democrático que marcou as eleições parlamentares daquele país.

    Além dos presidentes da Argentina e do Brasil, estiveram presentes à reunião o presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, e o anfitrião, o paraguaio Horacio Cartes. Como membros associados estiveram presentes ainda ao encontro do bloco a Presidente Michelle Bachelet, do Chile, e o presidente da Bolívia, Evo Morales. O venezuelano Nicolás Maduro, alegando compromissos internos e diante dos recentes desentendimentos com o novo presidente argentino, não compareceu à reunião, sendo representado pela Ministra do Exterior Delcy Rodríguez.

    O Presidente Horacio Cartes, do Paraguai, em sua intervenção, propôs criar uma comissão para monitorar o respeito aos direitos humanos no bloco regional.

    Dilma Rousseff afirmou, na Cúpula, que o Mercosul é fundamental para o projeto de desenvolvimento brasileiro e que sabe que o crescimento do Brasil também causa impacto positivo em toda a região do bloco. Ela citou para os líderes do Mercosul as medidas que seu Governo está adotando para enfrentar os efeitos da crise internacional e, sem falar abertamente sobre o processo de impeachment, garantiu que a reorganização do quadro fiscal no Brasil logo trará resultados positivos, juntamente com o fim da crise política que tem ocorrido desde o início do seu segundo mandato.

    "Nossa economia tem fundamentos sólidos”, garantiu Dilma aos seus colegas. “Temos elevadas reservas e temos uma situação financeira sob controle. Estou certa de que a reorganização do quadro fiscal no Brasil logo trará resultados positivos, juntamente com o fim da crise política que tem afetado meu segundo mandato desde o seu início. Nós estamos determinados a reduzir a inflação, a conseguir a estabilidade macroeconômica, a aumentar a confiança na nossa economia e a garantir a retomada sólida e duradoura do crescimento com distribuição de renda."

    A presidente destacou ainda que o Brasil está consciente de que terá de conviver por um bom período com o fim do superciclo das commodities, mas enfatizou que o Governo não vai recuar em suas políticas sociais.

    Segundo Dilma, o Governo está desenvolvendo “um novo ciclo, que será marcado por maiores estímulos às exportações, a um forte investimento em infraestrutura e em energia.” 

    A presidente enfatizou que o Brasil também pretende ampliar as relações com os mercados internacionais e suas exportações, e lembrou que o Mercosul quer concluir o ambicioso acordo com a União Europeia.

    “Os esforços do Presidente Cartes [do Paraguai] mostram, inquestionavelmente, que hoje a decisão [das relações] está do outro lado do Atlântico, porque deixamos sistematicamente claro que estávamos prontos para fazer as nossas ofertas.”

    A Presidenta Dilma também citou como positiva a contínua aproximação do Mercosul com a Aliança do Pacífico, e que o bloco vai continuar trabalhando pelo estabelecimento de uma área de livre comércio em toda a América Latina, sendo para isso essencial ampliar a aprofundar acordos com os parceiros andinos, como o acordo de serviços Mercosul-Colômbia, negociado nesse semestre. Dilma falou ainda sobre o acordo entre o Mercosul e Cuba, que vai permitir ao bloco sul-americano estar bem posicionado para aproveitar a evolução da economia cubana com a abertura das relações comerciais Cuba-EUA.

    Sobre a relação do Brasil com a Argentina, depois da posse do novo presidente, Mauricio Macri, o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, disse no domingo, 20. após encontro com a sua colega argentina, Suzana Malcorra, que a relação entre os dois países é estratégica e deverá se intensificar no início de 2016. Mauro Vieira disse ter certeza de que Brasil e Argentina vão continuar tendo um excelente relacionamento, agora com Macri à frente do Governo.

    “Conversamos sobretudo sobre relacionamento bilateral, para traçar um programa entre Brasil e Argentina a ser implementado a partir do próximo ano, logo após a posse do novo Governo”, informou Mauro Vieira. “O relacionamento do Brasil com a Argentina é estratégico. É muito importante, e continuará sendo. Tenho certeza de que teremos, como sempre tivemos no passado, um excelente relacionamento.”

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    Tags:
    relações comerciais, relações exteriores, exportações, relações bilaterais, Mercosul, Mauricio Macri, Horacio Cartes, Cristina Kirchner, Delcy Rodríguez, Tabaré Vázquez, Evo Morales, Nicolas Maduro, Mauro Vieira, Dilma Rousseff, Paraguai, Chile, Colômbia, Uruguai, União Europeia, Cuba, Argentina, Brasil
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