04:30 15 Setembro 2019
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    Dos 5 países dos BRICS, chineses são os mais otimistas com 2018

    Países dos BRICS estão entre os 10 mais otimistas com 2018

    Anthony Wallace/AFP
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    Pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos em 28 países revela que os integrantes dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) figuram na lista dos 10 mais otimistas com as perspectivas para 2018, seja na economia, na geopolítica e mesmo quanto aos planos pessoais.

    O levantamento mostra que a China ficou em quarto lugar, à frente de Índia (6º), Rússia (7º), África do Sul (8º) e Brasil (9º). Para 76% dos entrevistados, 2018 será um ano melhor do que 2017. Na outra ponta, os menos confiantes são Itália (43%), Japão (39%) e França (36%). Seis em cada 10 pessoas ouvidas na enquete acreditam que a economia global estará mais forte no ano que se inicia, e essa grau de confiança é justamente maior entre os países emergentes, os quais, segundo o Banco Mundial (Bird), deverão puxar o crescimento mundial neste ano. Nesse quesito, o Brasil é o quinto melhor colocado do ranking.

    Em entrevista à Sputnik Brasil, Roberto Dumas, mestre em Economia pela Universidade de Fundam, em Xangai, e professor do Insper, diz que as conclusões da pesquisa já eram mais ou menos esperadas, uma vez que 2017 foi um ano de dificuldades, mais no âmbito da geopolítica do que na economia em todo o mundo. A pesquisa do Ipsos mostra que 47% dos entrevistados consideram que 2017 foi um ano ruim.

    "É uma notícia positiva. Agora vai ser melhor para alguns países. A China vai ter um crescimento menor do que aqueles 6,8%, porque o Xi Jinping tomou a liderança e as reformas vão seguir mais draconiamente para que seja voltado para o consumo, o que fará a produção ter que parar de receber subsídios", explica o especialista.

    No caso da Rússia, Dumas prevê também um bom desempenho, graças à recuperação do preço do petróleo, agora de volta à casa dos US$ 70 o barril. No caso da Índia, cuja economia também está voltada para o consumo, o economista vê o país seguindo em uma velocidade de cruzeiro, crescendo até 7,5%. Já para o Brasil ele acredita que a estimativa de crescimento de 3,5% do Produto In terno Bruto (PIB) para este ano é positiva, embora a grande incógnita é como se dará essa expansão em 2019 e 2020, para que o país não volte a retomar o chamado voo de galinha, ou seja, crescimento sem sustentabilidade. "Precisamos fazer alguma coisa muito errada para o país não crescer este ano", frisa Dumas.

    Na avaliação do professor, o fato de que 47% dos entrevistados terem avaliado negativamente 2017 se deve mais a fatores geopolíticos do que econômicos. Ele aponta os retrocessos na política externa americana, a instabilidade política na União Europeia, a saída da Grã-Bretanha do bloco, atentados terroristas e o deslocamento das tensões internacionais para a Ásia, devido à queda-de-braço entre Estados Unidos e Coreia do Norte devido ao programa nuclear e aos testes promovidos pelo líder Kim Jong-Un.

    "Você tinha uma ordem econômica do pós-guerra que de certa maneira foi rejeitada por Trump e a globalização também foi rejeitada por ele. O dissabor ocorreu pelo fato de como Trump respondeu e que não deveria responder pela posição que tem. Nunca estivemos tão próximo de uma hecatombe nuclear. Eu nunca esperei que um dia um presidente dos EUA falasse assim: 'O meu botão é maior que o seu.', analisa o professor do Insper.

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    instituições, risco nuclear, economia mundial, geopolítica, acordos, confiança, Universidade de Fundam, Instituto Ipsos Mori, Banco Mundial, Roberto Dumas, Donald Trump, Kim Jong-un, Xi Jinping, Mundo
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