13:33 24 Janeiro 2020
Ouvir Rádio
    Mundo
    URL curta
    Atentados de 13 de novembro na França: um ano de estado de emergência (10)
    0 01
    Nos siga no

    Sputnik entrevistou o correspondente do Le Monde, Daniel Psenny, o primeiro jornalista a fotografar os feridos da boate Bataclan. Ele foi ferido, enquanto ajudava as vítimas.

    "Eram 21:40, quando eu ouvi algo parecido com estalos. Não entendi o que estava acontecendo. Eu abri a janela e vi pessoas caindo, caos, gritos, medo, pessoas mortas e feridas. Então eu entendi que aconteceu algo de terrível. Telefonei para a redação, tentando avisar. Eles me contaram sobre outros atentados terroristas em Paris. Então eu resolvi fotografar, para documentar tudo, sem saber o que estava acontecendo direito. Fotografei por uns 10 minutos e depois ficou tudo quieto. Segundo fiquei sabendo depois, os terroristas tomaram reféns e subiram para um andar mais alto. O silêncio durou por uns 10 minutos. Saí para a rua, onde havia muitos feridos, mortos, pessoas que não demonstravam sinal de vida. Ao lado do prédio eu vi uma pessoa. Me aproximei dela, para entender se estava viva. Estava viva. E eu, com ajuda de outra pessoa, levei ele para o hall do prédio. Esperei os salva-vidas, depois fui para a rua, tentando verificar o que ocorria. Alí fui atingido por uma bala de terrorista, que atirou de cima", relatou Psenny.

    "Foi da janela. Ele estava com reféns. Ele me viu e atirou, como um sniper".

    "Depois ficou difícil. Eu estava muito ferido. A pessoa que eu ajudei estava muito pior. Chamei o vizinho do terceiro andar. Ele acolheu nós dois e ficamos por três horas trancados no apartamento dele. Veio a polícia e as equipes de salvamento. Esperávamos eles tomando o prédio de assalto, para que pudéssemos sair do apartamento. Eram muitos feridos. O sangue jorrava. Depois nós falaram que, se eles não tivessem vindo, todos teriam morrido. Foi muito difícil", explicou o jornalista.

    "Não me arrependo de nada, pois a pessoa que eu ajudei está viva. Eu estou vivo. Não me arrependo do que fiz. Mas há um "antes" e "depois". Antes do 13 de novembro havia uma certa leveza, nenhum problema. Agora o medo impera. Em Paris, nesse bairro, se sente um peso. Principalmente na condição do atual estado de emergência. Quando a polícia e o exército estão mobilizados. Há um sentimento de pesar, de medo. Todos estão tomando muito cuidado." 

    "Eu não tenho medo. Para muitos, entretanto, esse foi um golpe duro. E o cuidado é necessário, pois está claro que haverão outros atentados. Outros atentados mais pesados. O cuidado é necessário".

    "Cuidado, mas não o medo. O medo significaria que os terroristas venceram. É preciso ficar atento. Mas não podemos ter medo. No domingo de manhã estarei aqui (no Bataclan)".

    "Teremos associações, o presidente, alguns ministros. Ao mesmo tempo, será tudo muito calmo, sem discursos. Devemos honrar a memória de 90 pessoas mortas aqui há um ano. Pessoas que morreram só por terem vindo ouvir um som. Honraremos essas pessoas e os seus parentes".

    Tema:
    Atentados de 13 de novembro na França: um ano de estado de emergência (10)
    Tags:
    atentado terrorista, bataclan, França
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik
    • Comentar