17:11 18 Agosto 2017
Ouvir Rádio
    Hillary Clinton, ex-secretária de Estado dos EUA e pré-candidata à presidência do país

    Por que razão ‘cenário iraniano’ de Clinton não funciona na Coreia do Norte?

    © REUTERS/ Mike Segar
    Mundo
    URL curta
    5134678

    O candidato presidencial do Partido Democrático, Hillary Clinton, disse que no caso de ser eleita, ela vai usar as sanções para forçar a Coreia do Norte a congelar o seu programa nuclear, tática que os EUA usaram recentemente com o Irã. Sputnik discutiu o problema com Vladimir Sazhin, especialista em assuntos orientais em Moscou.

    Em uma pergunta sobre a viabilidade deste cenário, Vladimir Sazhin respondeu que as duras sanções econômicas contra o Irã, introduzidas pelos EUA e os seus aliados ocidentais, eventualmente persuadiram Teerã a assinar o compromisso reciprocamente acordado sobre o desenvolvimento do seu programa nuclear.

    “Segundo Jake Sullivan, chefe da política externa na equipa de Clinton, a ideia é exercer a máxima pressão sobre Pyongyang e forçar o país a atender às demandas do Ocidente”, disse Sazhin à Sputnik.

    Jake Sullivan foi uma das pessoas que começou as negociações secretas com Teerã em 2012, que resultaram, em 14 de julho de 2015, no acordo entre a República Islâmica e os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, China, França, Rússia, Grã-Bretanha e EUA.

    “O Irã e a Coreia do Norte são dois mundos diferentes, policialmente, ideologicamente, socialmente e economicamente. Gravemente afetado pelas sanções internacionais, o Irã não se encontrava completamente isolado do resto do mundo. A sua economia continuou se desenvolvendo e integrando com o sistema econômico global, a produção e exportação de petróleo cresciam ao mesmo ritmo que a renda das pessoas”, notou Sazhin.

    A doutrina ideológica de neo-shiismo de Homeini [líder da Revolução Islâmica] não exclui a prosperidade individual e a assistência do Estado aos cidadãos.

    Pelo contrário, a ideologia da Coreia do Norte preconiza o isolamento completo do país do mundo externo, o coletivismo de estilo militar, o ascetismo e a autocontenção, o que significa que as sanções duras, que já estão em vigor, terão pouco resultado.

    Além disso, a Coreia do Norte tem um patrocinador poderoso, a China, que é responsável por 70 por cento do volume de comércio do país.

    Sullivan afirmou que no caso seja eleita, Hillary Clinton vai insistir que a China exerça pressão em Pyongyang, mas é pouco provável que Pequim use sanções contra o seu aliado, mesmo estando descontente com o programa e testes nucleares da Coreia do Norte.

    Na sua tentativa de se tornar uma potência nuclear de pleno direito, a Coreia do Norte não é limitada por qualquer acordo  legalmente vinculativo. Embora o acordo de 2015 com o Irã desse esperança que Pyongyang seguiria o processo, a Coreia do Norte excluiu rapidamente qualquer intenção de seguir o exemplo de Teerã. 

    “As negociações, se acontecerem, serão mais complicadas do que com o Irã. Claro que um análogo do cenário iraniano não é possível, mas a experiência obtida pelo grupo P5+1 no diálogo com Teerã é certamente inestimável”, diz o especialista em conclusão.

    Tags:
    programa nuclear, acordo, sanções, ONU, Hillary Clinton, Irã, Coreia do Norte, EUA
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik