17:03 07 Dezembro 2019
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    Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e rei da Arábia Saudita, Salman bin Abdul Aziz Al Saud

    'Opulência e paranoia' marcam visita do rei saudita à Turquia

    © AFP 2019 / TURKISH PRESIDENTIAL PRESS OFFICE/ KAYHAN OZER
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    Mesmo para os padrões extravagantes da Arábia Saudita, a visita que o rei Salman bin Abdulaziz fez esta semana à Turquia estabeleceu “novos recordes de opulência e paranoia”, segundo observou o jornal britânico The Guardian.

    Vista como um momento-chave para as relações entre as duas principais potências muçulmanas sunitas, a visita do rei saudita foi precedida pelo envio a Ancara de uma equipe de 300 oficiais de segurança responsáveis pelos preparativos para a chegada do monarca. 

    A administração de Salman também reservou todos os quartos do JW Marriott, um novo hotel cinco estrelas localizado em um bairro de luxo da capital turca, perto da residência do presidente Recep Tayyip Erdogan. As janelas da suíte real de 450m² foram cobertas com vidro à prova de balas e as paredes foram rebocadas com um cimento resistente a bomba, a um custo de 10 milhões de dólares, segundo informou a mídia local.

    Além disso, foram alugados 500 carros Mercedes-Benz, sendo que alguns deles tiveram que vir de outras cidades turcas, como Istambul e Antalya, pois em Ancara não havia o suficiente.

    Quando as reuniões do rei na capital turca terminarem nesta quarta-feira (13), toda a operação de segurança será transladada para Istambul, onde o monarca vai participar de uma cúpula de dois dias da Organização de Cooperação Islâmica (OCI).

    “Salman e Erdogan, descrito como o sultão moderno da Turquia que vive em um palácio ricamente decorado, têm muito em comum. Ambos querem derrubar o líder da Síria, Bashar Assad, e fizeram proclamações sobre derrotar o terrorismo na Síria e no Iraque”, escreve o jornal britânico.

    Assim como o rei saudita, o presidente turco está sendo constantemente criticado por parte de políticos europeus e norte-americanos, bem como por outros grupos de pressão, devido ao seu comportamento autoritário e às generalizadas violações dos direitos humanos e civis em seu país. Ambos os líderes também parecem estar desapontados com a liderança norte-americana, especialmente desde o acordo nuclear alcançado no ano passado entre Washington e Teerã. 

    A cúpula da OCI discutirá o terrorismo, a Palestina e os conflitos regionais, como o do Iêmen. Segundo o The Guardian, é provável que o rei Salman tente avançar seu plano de unir o mundo sunita atrás de sua liderança. Particularmente, o monarca deverá tentar conciliar Erdogan com o novo governo do Egito, apoiado pelos militares, que derrubou o presidente eleito Mohammed Morsi, apoiado pela Turquia, em 2013.

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    terrorismo, acordo nuclear, direitos humanos, paranoia, opulência, visita, segurança, sunitas, The Guardian, Organização de Cooperação Islâmica, Mohammed Morsi, Bashar Assad, Recep Tayyip Erdogan, Salman bin Abdulaziz Al Saud, Palestina, Egito, EUA, Irã, Iraque, Iêmen, Síria, Istambul, Ancara, Arábia Saudita, Turquia
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