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    Um Su-34 russo durante uma missão na Síria em 9 de dezembro de 2015

    Segundo analista a Rússia agora é o poder dominante na Síria

    © AP Photo / Ministério da Defesa da Federação da Rússia
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    Aviação russa combate terrorismo na Síria (111)
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    Os acordos de cessar-fogo da Síria puseram em evidência a impotência de Washington sobre a guerra civil em curso, e provaram que a resolução do conflito de quase cinco anos depende dos interesses russos na região, segundo escreveu o observador de assuntos internacionais Marc Champion, em um coluna de opinião para a Bloomberg View.

    "Desde quando a Rússia, ao invés de os EUA, desempenha o papel decisivo em qualquer parte do Oriente Médio?", perguntou e, respondendo à própria pergunta disse: "Desde agora. Os termos da trégua mostram a impotência dos EUA na Síria."

    Fyodor Lukyanov, chefe presidente do Conselho de Política Externa e de Defesa, observou em uma conversa com Champion que a situação em Aleppo sublinha o pano de fundo da campanha de Moscou na Síria.

    "Esta é uma questão absolutamente crucial, tanto para a estabilidade futura da Síria, quanto para a Rússia para demonstrar que toda a operação fez sentido. Você precisa de algum tipo de evento espetacular da escala da retomada de Aleppo para fazer isso", afirmou Lukyanov.

    Lukyanov expressou ainda dúvidas de que o cessar-fogo sírio será cumprido na primeira vez, visto que as condições para a paz são consideradas impraticáveis ​​neste momento. Mas a paz na região poderia "viver" se os diplomatas conseguirem harmonizar as várias cláusulas do acordo. Este cenário tem se mostrado viável na Bósnia e na Ucrânia, observou o especialista.

    Champion questionou como uma paz na Síria iria se desenvolver após Aleppo, a maior cidade do país, ter sido retomada pelo exército de Assad.

    Lukyanov sugeriu que uma intervenção turca na Síria seria "inevitável", já que Ancara estaria lidando com um aumento de refugiados que escapam da violência em curso no país devastado pela guerra. Ao mesmo tempo, disse ele, o avanço das forças sírias e curdas tiraria da Turquia o controle sobre a fronteira com a Síria, levando à criação de um "proto-Estado curdo" na região.

    Sob este cenário, um impasse iria se expandir, levando a um direto confronto russo-turco, algo que ninguém quer, Lukyanov observou.

    A recaptura de Aleppo irá impactar seriamente no resultado da guerra civil síria, uma vez que irá marcar simultaneamente o sucesso da operação de Moscou na Síria enquanto puxa o tapete das opiniões declaradas no Ocidente com relação às atividades russas na região, acrescentou Champion.

    O controle sobre territórios recuperado do Daesh seria aceito por Assad, ao invés daquele exercido por rebeldes apoiados pelos EUA e Turquia.

    "O problema de Kerry, e dos EUA e seus aliados, é que até agora Putin dá praticamente todas as cartas. A Rússia pode não ser o jogador dominante no Oriente Médio, mas quando se trata de a Síria, certamente é", disse Champion.

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    Aviação russa combate terrorismo na Síria (111)
    Tags:
    John Kerry, Vladimir Putin, Síria, EUA, Rússia
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