05:50 11 Dezembro 2017
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    Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no palácio presidencial de Miraflores, em Caracas

    Prevendo guerra, Maduro convoca propostas para ‘retificar o bolivarianismo’

    © AFP 2017/ Juan Barreto
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    Ontem (16), o parlamento venezuelano realizou sua última sessão ordinária com maioria chavista. A partir de 2016, a casa terá dois terços de oposição liberal conservadora, conforme determinado pelas últimas eleições legislativas. Enquanto isso, o Presidente Nicolás Maduro convoca os movimentos sociais a darem propostas para “retificar a revolução”.

    Segundo a TeleSur, o líder chavista promulgará por meio da Lei Habilitante uma lei sobre os Conselhos Presidenciais de Governo Popular (CPGP), a fim de agilizar o funcionamento dessas instâncias, responsáveis pela criação de propostas e estratégias destinadas a corrigir os erros do processo bolivariano.

    A chamada Lei Habilitante, um dos “cinco motores rumo ao socialismo”, segundo as palavras do presidente, autoriza Maduro, em Conselho de Ministros, a emitir decretos com força de lei.

    Em seu programa semanal “Em contato com Maduro”, o líder venezuelano disse que a lei sobre os CPGP – com os quais se reuniu ontem no Palácio Miraflores, em Caracas –, será simples em "sua definição, sua missão e sua forma de funcionamento”.

    Proposta pela porta-voz do grupo de representação popular dos idosos junto aos outros CPGP, a lei pede que essas instâncias possam se movimentar por todo país sem impedimentos legais, a fim de poderem consultar o povo e gerar propostas em matéria de educação, saúde, economia etc. – tudo que convenha, segundo Maduro, ao “fortalecimento e renovação do processo revolucionário”.

    Assim, o líder chavista anunciou que os 12 CPGP – que incluem grupos voltados às questões das mulheres, dos indígenas e das comunas, entre outros – iniciarão nesta quarta-feira (16) uma jornada de consulta às bases populares, que se prolongará até o sábado (19).

    A iniciativa, depois das eleições legislativas do último dia 6 de dezembro – nas quais as forças do Grande Polo Patriótico (GPP) obtiveram 55 deputados na Assembleia Nacional, enquanto que a aliança opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) ganhou 112 cadeiras no plenário, maioria inédita em 17 anos de bolivarianismo na Venezuela – tem como objetivo fortalecer a base de apoio popular do Executivo, que terá que enfrentar muitas batalhas contra o Legislativo no ano que se aproxima.

    Maduro aceitou a derrota, mas prometeu não permitir o desmonte das conquistas sociais. Ao mesmo tempo, reconheceu que a burocracia e a corrupção abalaram o projeto chavista e exortou a nação a uma "profunda reflexão" sobre o processo revolucionário, a fim de corrigir seus erros.

    ​Segundo o presidente, porém, a MUD ganhou as legislativas graças a uma “guerra econômica” que elevou os níveis de insatisfação popular – ou seja, graças à inflação artificial do preço das importações, alavancada por uma elite hostil ao bolivarianismo.

    Ainda neste contexto, soma-se ainda a ameaça de uma nova tentativa de golpe no país. No domingo (13), o governador e ex-candidato à presidência Henrique Capriles disse que "ou o governo muda ou teremos que mudar o governo”, referindo-se à possibilidade, já debatida entre os opositores, de convocar um referendo para revogar o mandato de Maduro a partir de abril de 2016 ou de encurtar seu mandato por meio de uma emenda constitucional. 

    Nesta quarta-feira, o chefe de Estado disse que não permitirá que a direita consolide um “golpe eleitoral”.

    "Não pensem que isso vai ficar assim. Nós vamos mudar essa situação e não vamos permitir que a direita consolide o seu golpe eleitoral, não vamos permitir", garantiu Maduro, falando em um encontro com trabalhadores da empresa telefônica estatal Cantv, que, segundo relata a Agência Brasil, se concentraram em frente ao palácio presidencial para condenar a intenção da oposição de privatizar a companhia.

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    Tags:
    esquerda, direita, golpe, guerra econômica, inflação, derrota, eleições legislativas, comunas, indígenas, mulheres, saúde, educação, economia, propostas, Revolução Bolivariana, chavismo, bolivarianismo, Assembleia Nacional, GPP, MUD, Conselhos Presidenciais de Governo Popular, Henrique Caprilles, Hugo Chávez, Nicolas Maduro, Caracas, América Latina, Venezuela
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