01:37 16 Outubro 2019
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    Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas

    Venezuela no Conselho de DH da ONU: Uma vitória na luta contra a propaganda ocidental?

    © AFP 2019 / FABRICE COFFRINI
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    O presidente venezuelano, Nicolas Maduro, denunciou na quinta-feira (12) uma campanha midiática internacional que teria tentado impedir a reeleição de seu país para o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.

    "Uma campanha brutal contra a Venezuela foi lançada, para evitar o inevitável. Para nós, ninguém nos deu nada de presente. Conquistamos tudo através da luta e esforço", disse o chefe de Estado, discursando em Genebra.

    Agradecendo o respaldo de uma série de países – entre eles, Cuba, Índia, China, Iraque e Rússia – à reeleição de Caracas no órgão da ONU por mais três anos, Maduro disse que, apesar das realizações da Venezuela em matéria social, "ninguém pode garantir que tudo está feito”. 

    “Tudo está por se fazer na construção de um sistema de direitos humanos. Este é um cenário maravilhoso para que esse processo tenha sua própria dinâmica", disse ele.

    Em setembro, a Venezuela foi reeleita pela Assembleia Geral da ONU como membro do Conselho de Direitos Humanos. O país sul-americano solicitou o direito de palavra para que o presidente venezuelano pudesse apresentar, perante o painel de 47 delegações, o compromisso de seu país com a garantia de cumprimento integral neste assunto. Segundo Maduro, o episódio foi uma vitória contra as contínuas campanhas midiáticas patrocinadas pelos interesses econômicos do Ocidente. 

    Na história da América Latina, não é a primeira vez que um país tem que resistir à pressão da propaganda ocidental. A seguir, lembramos algumas das últimas frentes nessa batalha midiática.

    Brasil 

    Em 13 de setembro, o jornal britânico Financial Times comparou o Brasil a um doente terminal, listando uma série de especulações aterrorizantes sobre o estado da economia nacional. Em entrevista à Sputnik, o jornalista Mário Russo destacou a tradicional veia exagerada da mídia britânica na avaliação da situação brasileira e mostrou como a publicação distorcia os fatos para atacar o país. Além disso, ele também comentou o rebaixamento da nota de investimento do Brasil pela Standard & Poor’s:

    “Sem a menor sombra de dúvida, é um caso político. Na verdade, quem é que faz a avaliação de risco no mundo e quem são essas agências? As avaliações feitas por essas agências há muito tempo são questionadas, porque quando elas fazem uma avaliação dessas elas recebem uma comissão pela avaliação. É preciso que as pessoas fiquem muito atentas, que tenham um filtro nos olhos, para ver se essas avaliações são feitas estritamente por critérios técnicos, econômicos, por parâmetros fiscais, de arrecadação, de pagamento. Há um componente subjetivo e um componente nebuloso. O cenário brasileiro é difícil, mas está bem longe de ser um cenário como o descrito pelo ‘Financial Times’, de paciente terminal”, disse o jornalista especializado em economia.

    Argentina

    Na questão dos “fundos abutres”, atualmente sendo apreciada por um tribunal em Nova York, a Argentina enfrenta a pressão da grande mídia ocidental para pagar a totalidade de sua dívida perante os fundos de investimento sediados nos EUA – ação que o governo argentino já explicou ser incapaz de fazer. 

    As negociações da Argentina com estes fundos datam de 2004, um ano após o então Presidente Néstor Kirchner assumir a Presidência em circunstâncias econômicas nada favoráveis. Kirchner, marido da atual Presidente Cristina Kirchner, determinou à sua equipe econômica que negociasse títulos da dívida argentina em condições que permitissem ao país iniciar um processo de recapitalização. Então, os “fundos abutres” entraram em ação, comprando os títulos por um terço do seu valor para, na revenda, obter o valor total.

    Com o passar do tempo e a Argentina mantendo as dificuldades econômicas, alguns fundos aceitaram acordo e permitiram ao Governo o resgate dos títulos por quantias inferiores aos valores de face. Outros, porém, decidiram exigir o valor integral, e a questão foi parar no tribunal. Em 2012, a Justiça dos EUA determinou o pagamento total e, pelos cálculos do Governo argentino, os valores girariam em torno de 1,3 bilhão de dólares. Como ainda não se obteve acordo, a estimativa é de que, com a correção dos valores, a dívida atualizada seja de 15 bilhões de dólares.

    Equador

    No final de junho, o presidente equatoriano, Rafael Correa, apresentou centenas de vídeos gravados em ônibus públicos de seu país para embasar a denúncia de que “reacionários venezuelanos” haviam sido infiltrados no Equador como parte de uma “conspiração em marcha com apoio internacional”, forjada pela oposição contra seu governo, bem como contra o de Nicolás Maduro, na Venezuela.

    Em diversas ocasiões, Correa tem afirmado que a direita liderada por interesses internacionais conspira para “gerar medo e criar agitação social”, tudo a fim de evitar as medidas necessárias para promover a igualdade e a distribuição de renda no país.

    “O poder midiático está na espinha dorsal, na base do poder que tem dominado a América Latina; se queremos uma mudança real na América Latina, tem que mudar o poder da mídia para o bem comum, para informar, não para manipular, jornalistas para cumprir o seu papel de jornalistas, e não de políticos disfarçados de jornalistas", disse ele em maio, durante uma entrevista coletiva em Quito.

    Por ocasião da Cúpula do Mercosul realizada em Brasília no mês de julho, a Sputnik entrevistou o especialista João Cláudio Pitillo, da UERJ. Perguntado sobre o risco que os governos progressistas da América Latina corriam por conta de ações desestabilizadoras vindas do exterior, ele disse que “enquanto os EUA e a Comunidade Europeia tiverem como princípio político econômico o imperialismo, todo cidadão do planeta tem que se sentir ameaçado, porque quando se contrariam interesses econômicos poderosos, se entra na mira desse canhão”. 

    “Nós estamos vendo o que está acontecendo no Oriente Médio, vimos o que foi esse embuste, essa mentira criada pelos países imperialistas, o esquema Primavera Árabe, que só serviu para trazer guerra e desgraça. Eles têm um poder midiático muito grande – tachar tudo aquilo que não coaduna com eles de ditadores, estados ditatoriais, governos repressivos”, pontuou o analista.

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    Tags:
    resistência, investimentos, rating, títulos, dívida, agitação social, interesses econômicos, poder midiático, fundos abutres, oposição, propaganda, guerra de informações, campanha midiática, mídia, Mercosul, Standard & Poor's, Financial Times, Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, Assembleia Geral da ONU, Rafael Correa, Néstor Kirchner, Cristina Kirchner, Nicolás Maduro, Ocidente, Cuba, Rússia, China, América Latina, Estados Unidos, EUA, Equador, Argentina, Brasil, Venezuela
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