15:03 26 Setembro 2017
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    Prisão de Guantánamo.

    Barack Obama quer votar fechamento de Guantánamo, mas republicanos tentarão impedir

    © AP Photo/ Ben Fox
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    David Júnior
    Normalização de relações entre Cuba e EUA (67)
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    O Departamento de Defesa dos EUA deverá enviar ao Congresso do país o plano de fechamento da prisão de Guantánamo, em Cuba, até o final desta semana. Pelo menos é o que garantiu o porta-voz da pasta, capitão de Marinha Jeff Davis.

    Ele afirmou à mídia norte-americana que, simultaneamente à apresentação do documento aos parlamentares, o conteúdo será revelado para a opinião pública. Segundo o oficial, o plano oferece algumas possibilidades de transferências para os presos que estão atualmente em Guantánamo.

    Embora apoiado em diferentes partes do mundo, o fechamento de Guantánamo não é garantia do fim da violação dos direitos humanos que caracterizou o local. Uma carta assinada pelo diretor executivo da Anistia Internacional dos EUA, Steven W. Hawkins, publicada em The New York Times nesta terça-feira (10), defende que o plano não é bom e que a prisão apenas mudariam de CEP, não contemplando a interrupção, por exemplo, das detenções por tempo indeterminado sem acusação.

    A aprovação do plano exigirá bastante empenho dos congressistas democratas, uma vez que o documento enfrenta forte resistência dos republicanos. O fim da prisão é uma exigência de Cuba no processo de reaproximação com os EUA e foi uma das promessas de campanha à presidência de Barack Obama.

    Para cumpri-la, o atual chefe da Casa Branca terá uma dura batalha no Congresso. Os republicanos não querem ver o fim de Guantánamo com a assinatura dos democratas e tentarão proibir isto antes de votar o plano de fechamento. Eles colocarão em votação nesta terça-feira um projeto de lei que impede Obama de acabar com a prisão em Cuba.

    Em agosto, o secretário de Defesa norte-americano, Aston Carter, assegurou que Guantánamo seria fechada até o final do atual mandato. Ele argumentou que o custo da prisão seria alto e que sua manutenção servia de manutenção para grupos terroristas.

    Especialistas militares norte-americanos visitaram nos últimos meses algumas instalações prisionais que poderiam receber os presos de Guantánamo. Eles estiveram, entre outras unidades, em presídios em Kansas, Charleston e Fort Leavenworth.

    O Campo de Detenção da Baía de Guantánamo fica na base naval dos EUA na ilha. As prisões militares foram abertas em 2002 para abrigar presos acusados pelas autoridades norte-americanas como terroristas. Um ano depois, 773 detentos haviam passado pelo presídio, 680 ficaram. Atualmente, porém abriga somente 112, sendo que 53 podem ser enviados para outros países.

    A redução significativa do número de presos e a pressão internacional pelo fechamento de Guantánamo começaram após denúncias da mídia norte-americana, em 2004, de torturas constantes aos presos no local. Dois anos depois, a ONU divulgou um relatório sobre os diversos casos de maus-tratos e pediu o fechamento do presídio. Muitos dos detidos permanecem atrás das grades até hoje sem qualquer acusação formal.

    Tema:
    Normalização de relações entre Cuba e EUA (67)
    Tags:
    terroristas, base, prisão, direitos humanos, relações diplomáticas, plano, fechamento, Casa Branca, Guantánamo, Pentágono, Nações Unidas, ONU, Partido Democrata, Partido Republicano, Congresso dos EUA, Anistia Internacional, Steven W. Hawkins, Ashton Carter, Barack Obama, Fort Leavenworth, Charleston, Kansas, Cuba, EUA
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